Núcleo Econômico Bovinocultura de corte Mercado Internacional

A carne é forte e global

Por *Marcos Jank

Por CNA e Instituto CNA 17 de abril 2017
Compartilhe:
E145329 f00001 b282 0 963026002015145450091

A exportação brasileira de carnes cresceu 13% ao ano desde 2000 e atingiu US$ 14,4 bilhões em 2016. Ocupamos o 2º lugar no ranking mundial, exportando carne de aves para 160 países (1º do mundo), bovina para 138 países (2º lugar) e suína para 88 países (4º lugar).

A exportação é volumosa e diversificada em produtos e destinos neste setor, que é um dos mais dinâmicos do agronegócio mundial. Se o Brasil sair do mercado mundial, haverá uma imediata escassez que impactará a segurança alimentar de boa parte da população mundial.

Os principais fatores que explicam o sucesso do Brasil nas proteínas animais são:
a) Disponibilidade de milho e farelo de soja: principais componentes da ração usada para criar aves e suínos, esses dois itens respondem por mais da metade do custo de produção dos animais. A maioria dos países que produzem carne no mundo importa soja e/ou milho das Américas (Brasil, EUA e Argentina), o que encarece o seu custo de produção.

b) Produtividade: genética avançada e uso de insumos modernos garantem elevadas conversões alimentares na produção de aves e suínos (kg de ração por kg de carne). No boi, o melhoramento de capins tropicais e do gado zebuíno (puro ou cruzado com raças europeias) gerou 143% de ganho de produtividade desde 1990.

c) Status sanitário: o Brasil tem sido privilegiado pela ausência de graves epidemias que atingem a pecuária em outros continentes, como a influenza aviária, a doença de newcastle, a peste suína, a diarreia epidêmica porcina e a vaca louca.

d) Coordenação da cadeia produtiva: exemplos notáveis de coordenação e eficiência da cadeia de carnes são:

- o sistema de integração lavoura-pecuária na produção primária de grãos e bovinos;
- a integração vertical entre pequenos produtores de suínos e aves e as indústrias processadoras, sejam elas privadas ou cooperativas;
- a amplitude e a eficiência da cadeia fria, que vai do processamento à geladeira dos consumidores no país e no exterior;
- a grande quantidade de auditorias, certificações e padrões privados que garantem qualidade, sanidade, rastreabilidade e bem-estar do animal.

Vale destacar que a maior parte dos países importadores impõe rígidos sistemas de aprovação de cada unidade industrial brasileira que quer exportar, começando com um acordo sanitário internacional, o preenchimento de longos questionários e auditorias que vão habilitar e monitorar só uma parte das unidades.

Esse processo é moroso e pouco transparente, repleto de travas sanitárias, técnicas e burocráticas, não raro sem base científica e previsibilidade. Nossos frigoríficos são constantemente inspecionados por fiscais, técnicos e clientes dos países importadores: em 2016, só a JBS e a BRF receberam 550 auditorias privadas do exterior.

Curiosamente vários países que hoje restringem a carne brasileira não aplicam internamente os mesmos critérios exigidos nas importações. A realidade nua e crua de grande parte dos países em desenvolvimento é triste: abate de animais vivos em mercados molhados (chamados de "wet markets"), sujeira e contaminações por toda a parte, animais heterogêneos e sem controle sanitário de origem, trabalhadores descalços, sem camisa, luvas ou toucas de proteção, ausência de cadeia fria no mercado e nas casas.

Padrão, sanidade, qualidade e cadeia fria infelizmente são a exceção, e não a regra, para a maior parte dos consumidores do planeta.

O setor de proteínas animais é um dos raros segmentos da economia em que nos tornamos referência global, graças a exportações que agregam volume, qualidade, sanidade e preços acessíveis, além de boas perspectivas. Basta dizer que, enquanto a demanda mundial por alimentos aumentará 46% até 2050, a procura por proteínas animais crescerá 95%, mais que o dobro.

*Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio

Veja também

Panorama do Agro | Edição 38
Publicações Panorama do agro

Panorama do Agro | Edição 38

23 de outubro 2026

Ler publicação
Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro | 2° Trimestre 2026
Publicações Boletim

Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro | 2° Trimestre 2026

Núcleo Econômico

16 de outubro 2026

Ler publicação
Crédito rural em ano de margens estreitas
Publicações Campo futuro

Crédito rural em ano de margens estreitas

Café

13 de outubro 2026

Ler publicação
Panorama do Agro | Edição 36
Publicações Panorama do agro

Panorama do Agro | Edição 36

9 de outubro 2026

Ler publicação
Panorama do Agro | Edição 37
Publicações Panorama do agro

Panorama do Agro | Edição 37

9 de outubro 2026

Ler publicação
Pesquisa da pecuária municipal (ppm) 2025: rebanho bovino cai pelo segundo ano consecutivo
Publicações Publicação

Pesquisa da pecuária municipal (ppm) 2025: rebanho bovino cai pelo segundo ano consecutivo

Bovinocultura de corte, Bovinocultura de Leite, Aquicultura e Equideocultura Bovinocultura de corte, Bovinocultura de Leite, Aquicultura e Equideocultura Bovinocultura de corte, Bovinocultura de Leite, Aquicultura e Equideocultura Bovinocultura de corte, Bovinocultura de Leite, Aquicultura e Equideocultura

8 de outubro 2026

Ler publicação
Panorama do Agro | Edição 35
Publicações Panorama do agro

Panorama do Agro | Edição 35

2 de outubro 2026

Ler publicação
Agosto tem criação de 165,8 mil empregos formais
Publicações Caged

Agosto tem criação de 165,8 mil empregos formais

Núcleo Econômico

1 de outubro 2026

Ler publicação
Cenários de mercado e custos na aquicultura
Publicações Campo futuro

Cenários de mercado e custos na aquicultura

Aquicultura

28 de setembro 2026

Ler publicação