CNA e especialistas debatem Relatório de Políticas Agrícolas da OCDE e os impactos no Brasil
Encontro foi realizado na quarta (2)
Brasília (02/04/2025) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, na quarta (2), um debate sobre o Relatório de Políticas Agrícolas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e os impactos para o agro brasileiro. O documento traz uma análise das ações de suporte para agricultura adotado por países da organização e outros observados pela OCDE.
Participaram do debate o coordenador de Inteligência Comercial e Defesa de Interesses da CNA, Felipe Spaniol; o Embaixador do Brasil junto à OCDE, Sarquis J. B. Sarquis; a analista de Política Agrícola na OCDE, Dalila Cervantes-Godoy; e o pesquisador e representante do Ministério da Agricultura, Alexandre Amaral.
Moderador da live, Spaniol destacou a importância do documento, feito há 37 anos e envolvendo 54 países no mundo. Para ele, é uma grande oportunidade para apresentar o agronegócio brasileiro de forma estruturada em um fórum internacional.
“Sabemos que as políticas agrícolas variam muito ao longo do tempo e são impactadas por questões políticas, guerras, abertura e fechamento de mercados, barreiras comerciais e tarifárias, como a que a gente espera hoje no final do dia nos anúncios dos Estados Unidos”, explicou.
Felipe também contextualizou o impacto das questões macroeconômicas, como o PIB, preço da energia e dos insumos para o agronegócio e a inflação. “Isso tudo influencia diretamente os níveis de proteção, suporte na agricultura, e que por fim vão influenciar nos preços de alimentos”, afirmou o representante da CNA.
Dalila explicou a metodologia do estudo, as estratégias de realização e os principais pontos de cada um dos países avaliados. A OCDE é uma organização internacional que promove padrões internacionais em questões econômicas, comerciais, sociais, ambientais e financeiras.
A representante da OCDE destacou o baixo nível do Brasil nos subsídios e proteção do produtor, que inclusive vem caindo ao longo dos anos e em comparação com outros países analisados. Ela finalizou sua apresentação falando sobre algumas recomendações para melhorar a eficácia das políticas e dos mercados para o Brasil.
O Embaixador Sarquis falou sobre a agenda de trabalho e a importância da atuação junto à OCDE. Segundo ele, o objetivo é levar a perspectiva da produção agrícola brasileira para amplo conhecimento no debate internacional e o reconhecimento da agricultura praticada nos trópicos no combate à fome e a insegurança alimentar.
“O Brasil é muito rico em estatísticas e tem um compromisso com a boa governança e com a transparência através de dados objetivos. Ao participar da OCDE, o Brasil comunica melhor os atributos do agronegócio, em termos de eficiências e das condições de produção. Com base nas evidências, o Brasil tem avançado e compartilhado muita informação”, disse.
Durante o debate, Amaral falou da importância de o Brasil compor o documento e tratou das políticas públicas abordadas nessa publicação que, segundo ele, aborda temas como o Plano Safra, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD), e o Plano ABC+, que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na agropecuária.
“A principal abordagem estratégica do Brasil para promover o crescimento sustentável da produtividade ocorre pelo fomento à adoção de tecnologias adaptadas às paisagens e aos biomas brasileiros”, destacou o representante do Mapa.
Spaniol enfatizou a relevância de poder fazer uma comparação com uma publicação de um organismo internacional reconhecido. “Podemos colocar todas essas boas práticas adotadas no Brasil para discussão, para que se gere um debate mais científico e fundamento em dados. Ter o Mapa, a OCDE e todos esses organismos internacionais em um debate são fundamentais para que a gente consiga de fato mostrar a realidade da agricultura tropical brasileira”, disse.
Assista a live completa no YouTube do Sistema CNA/Senar