Relações Internacionais Comércio Exterior Balança Comercial

Artigo/Sueme Mori: o que dizem os números da balança comercial

Por CNA 19 de janeiro 2024
Compartilhe:
SUEME

Pelo terceiro ano consecutivo, as exportações do agro brasileiro alcançaram valores recordes. Os US$ 166,5 bilhões vendidos ao exterior no ano passado representam um aumento de 4,8% em relação ao resultado de 2022. Mesmo sendo bem abaixo do crescimento de 32% registrado no período anterior, os quase US$ 167 bilhões merecem ser celebrados, especialmente considerando a queda e aparente estabilização dos preços internacionais dos alimentos, que cresceram vertiginosamente nos últimos anos devido à pandemia da Covid-19.

Comparando o desempenho do agro com os demais setores produtivos, fica claro o peso do setor rural para a economia brasileira. De tudo o que o Brasil exportou em 2023, 49% foi agro. O País fechou o ano com superávit total (exportações menos importações) de US$ 98,8 bilhões, graças ao superávit do agronegócio de quase US$ 150 bilhões. Boa parte desse resultado tem relação com a China, que não só continua sendo o principal comprador dos produtos agropecuários brasileiros como ampliou sua relevância, com 36% da participação do total vendido em 2023. Em 2022, o share chinês era de 32%.

Em termos absolutos, a importância das compras chinesas fica ainda mais evidente. Em 2023, o agro exportou US$ 7,7 bilhões a mais do que 2022. O aumento das importações chinesas no mesmo período foi de US$ 9,5 bilhões. Isso significa que a ampliação das exportações para a China compensou a redução das vendas para outros mercados como, por exemplo, para a União Europeia, que comprou quase US$ 4 bilhões a menos no ano passado.

Problemas climáticos em importantes produtores mundiais, como Argentina, Estados Unidos, Índia e Tailândia, causaram quebras de safra e consequente redução da oferta mundial de produtos como soja, milho e açúcar. Com isso, o Brasil vendeu mais. No caso do milho, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior exportador mundial. Só para a Argentina, as compras de soja em grãos cresceram mais de 1.000%, fazendo com que o país pulasse do 18º lugar para o sétimo principal destino do agro brasileiro em 2023. A soja em grãos continua como a grande estrela da pauta exportadora. Dos quase US$ 167 bilhões exportados no ano passado pelo setor, US$ 53 bilhões foram soja em grãos. Segundo colocado, o milho respondeu por 8% do total (US$ 13,5 bilhões).

Infelizmente, a diversidade da produção nacional não está refletida nos números da exportação nacional. E a solução não é vender menos para a China, nem menos soja em grãos, mas sim ampliar a venda de outros produtos também para outros mercados. A própria China é um mercado gigante com potencial para absorver outros produtos como frutas, mel e café. Aliás, as compras chinesas de café verde do Brasil cresceram 251%, saltando de US$ 79 milhões em 2022 para US$ 278 milhões em 2023.

Em termos de abertura comercial, o Ministério da Agricultura contabilizou 78 aberturas de novos mercados e o Brasil, no âmbito do Mercosul, concluiu o primeiro Acordo de Livre Comércio (ALC) com Cingapura. Que esse seja somente o primeiro ALC com a Ásia, um continente que abriga 6 dos 10 principais destinos das exportações agropecuárias brasileiras: China, Japão, Indonésia, Vietnã, Coreia do Sul e Tailândia.

A ampliação da participação do agro brasileiro em mercados internacionais depende não só do aumento da produção nacional, mas da ampliação do número de produtores e empresas preparados para exportar; do trabalho do governo, em conjunto com o setor privado, para abrir novos mercados; da geopolítica internacional; do grau de abertura/protecionismo dos países e de questões climáticas, que cada vez mais afetam a produção mundial de alimentos.

As questões geopolíticas sempre exerceram influência no comércio internacional e 2023 não foi diferente. A guerra entre Rússia e Ucrânia e o conflito na Faixa de Gaza escancararam o acirramento entre ocidente e oriente. Os impactos no comércio marítimo internacional começaram a ser sentidos no final de 2023.

O futuro incerto do Mercosul com a eleição de Milei na Argentina, a vitória do Partido Democrático Progressista em Taiwan, no início de 2024, e a corrida presidencial em mais de 50 países, incluindo o pleito nos EUA neste ano, devem esquentar ainda mais esse jogo do xadrez geopolítico.

Sueme Mori é diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

*Artigo publicado originalmente no Broadcast

Áreas de atuação

Veja também

Panorama do Agro | Edição 38
Publicações Panorama do agro

Panorama do Agro | Edição 38

23 de outubro 2026

Ler publicação
Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro | 2° Trimestre 2026
Publicações Boletim

Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro | 2° Trimestre 2026

Núcleo Econômico

16 de outubro 2026

Ler publicação
Crédito rural em ano de margens estreitas
Publicações Campo futuro

Crédito rural em ano de margens estreitas

Café

13 de outubro 2026

Ler publicação
Panorama do Agro | Edição 36
Publicações Panorama do agro

Panorama do Agro | Edição 36

9 de outubro 2026

Ler publicação
Panorama do Agro | Edição 37
Publicações Panorama do agro

Panorama do Agro | Edição 37

9 de outubro 2026

Ler publicação
Pesquisa da pecuária municipal (ppm) 2025: rebanho bovino cai pelo segundo ano consecutivo
Publicações Publicação

Pesquisa da pecuária municipal (ppm) 2025: rebanho bovino cai pelo segundo ano consecutivo

Bovinocultura de corte, Bovinocultura de Leite, Aquicultura e Equideocultura Bovinocultura de corte, Bovinocultura de Leite, Aquicultura e Equideocultura Bovinocultura de corte, Bovinocultura de Leite, Aquicultura e Equideocultura Bovinocultura de corte, Bovinocultura de Leite, Aquicultura e Equideocultura

8 de outubro 2026

Ler publicação
Panorama do Agro | Edição 35
Publicações Panorama do agro

Panorama do Agro | Edição 35

2 de outubro 2026

Ler publicação
Agosto tem criação de 165,8 mil empregos formais
Publicações Caged

Agosto tem criação de 165,8 mil empregos formais

Núcleo Econômico

1 de outubro 2026

Ler publicação
Cenários de mercado e custos na aquicultura
Publicações Campo futuro

Cenários de mercado e custos na aquicultura

Aquicultura

28 de setembro 2026

Ler publicação