Clima

Uma coisa leva a outra: os impactos climáticos

Por *Ágide Meneguette

Por CNA 23 de fevereiro 2018
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O ano começou com excesso de chuvas em todo o Paraná, superando a média histórica em muitas regiões do Estado. O clima é uma variável determinante para a agropecuária. As consequências têm efeito em cadeia.

O primeiro reflexo foi o comprometimento da produtividade na fase de desenvolvimento da planta e que resultou no atrasado na colheita de grãos.

Alguns estágios são decisivos para o desenvolvimento da soja que não atingiu o potencial esperado e a estimativa para a safra de verão 2017/18 foi revisada para baixo. A umidade excessiva também refletiu em aumento da incidência fungos, doenças e apodrecimento das vagens.

No embalo dos problemas ocorridos com a colheita de verão, a janela de plantio do milho safrinha ficou apertada levando muitos produtores a desistirem ou arriscarem a semear fora do calendário.

A situação exige sensibilidade do governo federal em relação a algumas medidas como a revisão do calendário de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para alguns municípios. A demanda da FAEP foi atendida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento(Mapa) e a data limite aumentada em 20 dias para 170 cidades produtoras do cereal. Mesmo assim, são necessários novos prazos, pois o excesso de chuva não permite o avanço das colheitadeiras sobre a soja que está no campo.

Aos que decidiram apostar no plantio do milho safrinha, o cenário quebrou totalmente o planejamento da safra. Os preços do cereal estão menos atrativos. A busca por semente precoce aumentou na tentativa de redução do ciclo, mas isto aumenta o custo de produção. Outro problema é que ninguém estava preparado com estoque de sementes suficientes para atender a essa demanda. Não há o tipo de semente que os produtores gostariam no mercado. E, mesmo que houvesse, pela própria tecnologia necessária, o custo é maior.

Ainda, há produtores que decidiram apostar em variedades mais baratas, sem potencial genético de ponta. O resultado de todo esse histórico é uma produtividade baixa e com qualidade comprometida, atingindo diretamente o bolso do produtor. Todo mundo sabe que o agricultor utiliza o crédito agrícola para produzir e o endividamento com o banco vem com chuva ou sem ela.

Nesse contexto, temos dois perfis de produtores. Um que não fez o seguro e, inevitavelmente, arcará com as perdas e prejuízos. O segundo é o produtor que fez o seguro rural, mas dependerá também da capacidade de resposta da seguradora ao sinistro. Isso inclui agilidade na perícia para liberação da área para outros manejos, o que exige, além de estrutura, planejamento.

O cenário é de incertezas. É aí que entra o papel do poder público em adotar medidas que ajudem o produtor rural a ter condições de se recuperar rapidamente para que as consequências não atinjam futuras safras e a normalidade seja estabelecida o quanto antes, administrando melhor as perdas.

Até o meio do ano temos estoque de milho para atender a demanda. Depois disso, o mercado começará a sofrer os reflexos das chuvas de janeiro com efeitos na suinocultura e na avicultura. E, poderá ser percebido na gôndola do supermercado.

Se olharmos o cenário de forma mais ampla veremos um câmbio mais baixo para exportações. Além das consequências da chuva na questão de infraestrutura e logística com dificuldade de beneficiamento pela umidade, as estradas vicinais que foram afetadas pelo alagamento dificultam o escoamento de produção.

Precisamos de ações que minimizem esses riscos. Como instituição que atua em defesa do produtor rural estamos fazendo a nossa parte. Até mesmo na cobrança do agricultor em investir em ações de conservação de solo e água, para que o impacto do alagamento seja minimizado, orientação, auxílio e parceria no crédito e no seguro agrícola e na eficiência da produção agropecuária. Na outra ponta constantemente cobramos e apresentamos soluções ao poder público.

Precisamos construir juntos alternativas para reduzir o poder dos impactos climáticos.

*Ágide Meneguette é presidente do Sistema FAEP/Senar-PR

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