Núcleo Econômico Agronegócio

Cenário do agronegócio mundial – II

Por *Benjamin Salles Duarte

Por CNA 20 de fevereiro 2017
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Essa presumível oferta brasileira de grãos de até 220 milhões de toneladas em 2016/17, ao considerar a recomendação da Organização das Nações Unidas para Agricultura e a Alimentação(ONU/FAO) sobre a disponibilidade mínima de 500 quilos de grãos per capita/ano, seria suficiente para abastecer 440 milhões de pessoas contra uma população atual de 206 milhões de brasileiros ou até os 325,7 milhões de norte-americanos e compulsada em 14 de fevereiro de 2017.

Além disso, comparando-se o ano de 2002 com o de 2016, a produção mundial de carne suína foi de 88,4 milhões de toneladas para 109,3 milhões, um acréscimo de 23,6%, e a da carne de frango, na mesma comparação, avançou de 58,6 milhões de toneladas para 89,7 milhões ou 53,0%. 

No caso do milho, o grão mais cultivado no mundo, na safra de 2001/02 para a de 2015/16 a oferta passou de 601,7 milhões de toneladas para 959,7 milhões, mais 59,4%, contra o crescimento da área de plantio de apenas 28,85%. Somente os EUA respondem em média por 35 a 40% da colheita mundial. Mercados e tecnologias explicam esses desempenhos. Segundo ainda estimativas, na safra 2016/17, o milho poderá ultrapassar 1,01 bilhão de toneladas. 

Os EUA e a China podem responder por 587,3 milhões de toneladas ou 71,9% da produção mundial. O milho, trigo e o arroz totalizaram 80,3% da disponibilidade mundial de grãos em 2015/16. Os grãos são também compartilhados com os rebanhos de pequenos e grandes animais.

Na cultura da soja a sua produção mundial passou de 184,89 milhões de toneladas na safra 2001/02 para 312,36 milhões na de 2015/16 ou 68,94%, e a expansão da área cultivada, na mesma comparação, foi de 50,41% e houve ganhos de produtividades médias. Estima-se que a colheita da soja na safra 2016/17 atinja 325,95 milhões de toneladas, sendo que os EUA e o Brasil disputam o primeiro lugar, no momento, com pequena vantagem para os EUA. Previsão não é cálculo matemático na agricultura.

A produção de leite fluído, baseado no “Perfil do agronegócio mundial/Seapa” elevou-se de 462,6 milhões de toneladas em 2002 para 583 milhões em 2016, um ganho de 26,0%. Não se deve subestimar, numa abordagem limitada, os papéis e ofertas do agronegócio mundial, inclusive na captura do gás carbônico(CO2) pela fotossíntese, fator de aquecimento climático, e na reciclagem da água bruta usada na agricultura. 

Noutro ângulo, a agricultura irrigada terá que vencer a cultura do plantio de sequeiro tradicional e histórica. O Brasil irriga apenas 6,5 milhões de hectares através dos pivôs centrais, predominantes, bem como via aspersão, gotejamento e por gravidade. Estimam-se que a agricultura irrigada nos EUA ocupe 28 milhões de hectares irrigados e 60 milhões na China. O potencial brasileiro na agricultura irrigada é de 30 milhões de hectares, exige um manejo correto do solo e da água, e Minas irriga 550 mil hectares.

O Brasil já é o segundo maior produtor mundial de alimentos e sua presença nos sistemas agroalimentares é mais do que estratégico, é indispensável. É líder nas exportações do suco de laranja, açúcar, café e das carnes bovina e de frango. O Brasil é o maior produtor mundial, Minas Gerais lidera a produção nacional de café e os cafeicultores mineiros respondem também por 70,0% das exportações do café arábica. 

Ainda segundo o “Perfil do agronegócio mundial/julho 2016” a produção de café, que é bienal, passou de 116,6 milhões de sacas beneficiadas em 2001/02 para 153,2 milhões ou 31,3%, e com previsão de 155,7 milhões em 2016/17. Entretanto dado da Organização Internacional do Café(OIC), dezembro de 2016, estima a produção mundial, safra 2016/17, em 151,6 milhões de sacas para um consumo de 155,7 milhões. Ganham espaços os cafés com certificação de origem e os capsulados. Desde 1727 se planta café no Brasil.

A produção de açúcar foi de 134,4 milhões de toneladas em 2001/02 para 164,9 milhões em 2015/16, mais 22,6%, com um pico de 178 milhões de toneladas na safra 2012/13. Segundo a Conab (Cia. Nacional de Abastecimento), na safra 2016/17 o Brasil deve produzir 691 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e 37,5 milhões de toneladas de açúcar.

Entre os anos de 2014, 2015 e 2016, os superávits acumulados nas exportações do agronegócio brasileiro foram de US$ 226,58 bilhões e nele contidos os US$ 21,33 bilhões devidos à Minas Gerais, que exporta para 160 países. Apenas para efeito didático, o setor supermercadista mineiro, que ocupa o 2º lugar no Brasil em faturamento bruto, deve atingir 185,8 mil empregos diretos até o final de 2017 e no mínimo 50,0% das vendas são alimentos. 

São múltiplos e sequenciais os desdobramentos do agronegócio, pois segundo o Instituto Tecnológico da Panificação, Alimentação e Confeitaria, em 2016, Minas Gerais movimentou R$ 8,63 bilhões através 6,3 mil empresas e, em nível de Brasil, foram R$ 87,4 bilhões ou US$ 27,3 bilhões. Segundo o IBGE, entre 2010 e 2014, excluindo-se as atividades ligadas diretamente à administração pública (saúde, educação, etc), em 1.135 municípios brasileiros a agropecuária respondia por mais da metade de suas economias.

Água e alimentos são fundamentais às economias, à vida humana, animal, e intervir na natureza exige muita ciência e tecnologia ao pactuar com os empreendedores rurais presumíveis resultados econômicos, sociais e ambientais. Minas Gerais, o Brasil e o mundo estão interligados ao agronegócio com suas oportunidades e desafios, embora a tese da globalização já esteja sendo questionada, inclusive pelos EUA e União Europeia.

 Noutro ângulo, igualmente importante, o presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, no seu artigo “Bem-vindo ao amanhã,” ressaltou; “o futuro já bate à nossa porta através de três forças, que operam de forma veloz e coordenada; urbanização acelerada, aumento da frequência de eventos climáticos extremos e avanços expressivos no desenvolvimento científico e tecnológico ocorrem como ondas em sinergia”.

*Benjamin Salles Duarte é Engenheiro agrônomo 

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