Rally Forrageiras apresenta alternativas para a pecuária no Norte de Minas

Dia de Campo em Montes Claros reuniu resultados de pesquisa e experiências de produtores com espécies adaptadas ao semiárido da região

Por Instituto CNA 29 de outubro 2026
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Brasília (29/10/2026) - O município mineiro de Montes Claros recebeu, na quarta (28), o dia de campo do Rally Forrageiras, promovido pelo Sistema CNA e pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), com a participação de mais de 500 produtores rurais, técnicos e autoridades locais para apresentação dos resultados do projeto Forrageiras para o Semiárido.

Montes Claros fica localizada no Norte de Minas, uma das principais regiões produtoras de gado de corte do estado, que faz parte do Semiárido brasileiro e tem precipitação média anual de 1.100 mm/ano. Segundo dados do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), entre as atividades pecuárias na região, há 17 milhões de bovinos.

O diretor executivo adjunto do Instituto CNA, Matheus Ferreira, o superintendente do Senar Minas, Celso Furtado Júnior, e o vice-presidente da Faemg, Patrick Brauner, participaram da abertura do evento, na Unidade de Referência Tecnológica (URT) de Montes Claros.

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“O Rally Forrageiras é uma oportunidade de apresentar aos produtores da região os resultados de dez anos de pesquisa do Projeto Forrageiras para o Semiárido, voltados à escolha de espécies adaptadas à região. Foi uma grande experiência em que produtores puderam conhecer os resultados obtidos pela iniciativa e se inspirar para aplicar essas tecnologias em suas propriedades”, afirmou Ferreira.

Para o vice-presidente da Faemg, Patrick Brauner, as forrageiras pesquisadas são alternativas que podem ser incorporadas ao sistema produtivo de pequenos, médios e grandes produtores da pecuária de corte e de leite, da ovinocultura e da caprinocultura da região, para ajudar a minimizar os efeitos da escassez de chuvas.

"O objetivo é que, mesmo em locais como o Norte de Minas e os vales do Mucuri e do Jequitinhonha, onde chove menos do que em outras regiões do estado, o produtor possa aliar alta produtividade à adaptação ao clima. Isso contribui para a rentabilidade e a permanência dessas famílias no campo", disse.

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Durante o dia de campo, os produtores conheceram as forrageiras pesquisadas e adaptadas ao clima da região, sobretudo as que se destacaram em produtividade de matéria seca por hectare/ano e no ganho de peso animal.

Resultados - A coordenadora do Forrageiras para o Semiárido, Alenilda Carvalho, explicou que na fase 1 do projeto, as espécies que se destacaram em Montes Claros foram Sorgo BRS 658, Sorgo Ponta Negra e milho BRS 2022 (gramíneas anuais); Andropogon; Piatã e Tamani (gramíneas perenes); Miúda, Orelha de Elefante Mexicana e IPA Sertânea (cactáceas); e Leucena (arbórea leguminosa).

Já na fase 2, foram inseridos novilhos de corte em sistema de pastejo com os capins Buffel Áridus e Massai (pastejo na seca) com suplementação concentrada e BRS Paiaguás e Piatã (pastejo na chuva). E a taxa de lotação ficou dentro da média nacional, com até três Unidade Animal por hectare (UA/ha).

Algumas das espécies de capins pesquisadas na URT de Montes Claros. Algumas das espécies de capins pesquisadas na URT de Montes Claros.

"No sistema Piatã – Massai ou Piatã - Marandu, o rendimento de peso corporal/ha foi superior a 12 @/ha, com animais permanecendo um ciclo agrícola (12 meses) no sistema. Quando comparado a da média nacional em sistema tecnificado (10 a 15@/ha/ano), o modelo do projeto se apresentou viável para a produção local", afirmou.

Alenilda ressaltou que durante os testes no período seco, os animais permaneceram no pastejo e receberam concentrado no cocho. Já na estação chuvosa, permaneceram com alimentação baseada apenas em pasto e sal mineral.

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Produtores - A produtora Rosemaria Miranda participou do dia de campo e conta que plantou palma na propriedade que administra com a irmã. Segundo ela, a forrageira trouxe segurança para seu rebanho.

"A gente vê alguns produtores, alguns criadores de animais aqui da região reclamando de seca e da falta de pastagem. Enquanto outros que adotaram a Palma, falam que não é mais uma alternativa, é uma escolha. Porque não dá para escolher, vou ou não usar a Palma. Para mim hoje, a Palma já faz parte da alimentação do gado."

Produtores receberam o guia de bolso, com orientações sobre manejo e opções do cardápio forrageiro para alimentação animal. Produtores receberam o guia de bolso, com orientações sobre manejo e opções do cardápio forrageiro para alimentação animal.

O pecuarista Bernardo de Azevedo afirmou que o projeto é muito inovador e mudou a realidade da sua propriedade. Ele argumenta que hoje sobra capim na sua fazenda e incentivou outros produtores a também participarem.

"Eu tive muitas perdas, apostando no capim da moda, da internet, e graças a Deus um belo dia tive contato com o Forrageiras para o Semiárido. Já tem três anos que tenho sobra de capim adaptados para nossa realidade. Por isso digo: acreditem na ciência. Fazenda não é lugar para teste. Eu fiquei muito feliz porque descobri que os testes que eu ia fazer já estavam feitos. Então, chega de ter que reformar pastagens, replantar capim de tempos em tempos, vamos trabalhar com o que a ciência tem para a gente,” concluiu.

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