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Minas Gerais

Produtores ATeG do Sul de Minas têm queijos premiados
Queijos

27 de julho 2022
Por Senar

Dois participantes de grupos do Programa ATeG Agroindústria - Lácteos de Alagoa e Aiuruoca foram premiados no Concurso CNA Brasil Artesanal, na categoria “Queijos Artesanais Tradicionais de 30 a 180 dias de maturação”. O 5º lugar na categoria ficou para a cidade de Aiuruoca e a medalha de prata foi para Alagoa.

Os municípios contam com dois grupos de ATeG Agroindústria em andamento. Cerca de 40 propriedades rurais vêm recebendo a assistência técnica e gerencial promovida pelo Sistema FAEMG, que busca melhorar a qualidade dos produtos, a gestão do negócio e a lucratividade da atividade.

imagem As duas queijarias premiadas recebem ATeG do Sistema FAEMG

Tradição de Alagoa

A pequena cidade de Alagoa vem chamando a atenção para a produção de laticínios de alta qualidade. Com pouco mais de 2 mil habitantes e localizada a cerca de 1100 metros de altitude, o terroir e o clima fazem do local um solo fértil para produção de queijos reconhecidos e premiados em concursos nacionais e internacionais.

A história do queijo tradicional de Alagoa remonta há mais de 200 anos, começando com uma receita italiana de Paschoal Poppa, Gumercindo Ferreira Pinto e João Fonseca, que iniciaram na cidade a produção de um queijo parmesão. Hoje em dia, essa receita apresenta características regionais marcantes e reconhecidas.

Francisco Antônio de Barros Júnior, da fazenda Sabor da Alagoa, ficou em segundo lugar com o queijo tradicional de Alagoa Maturado. Ele já havia ficado na segunda colocação no mesmo concurso no ano passado, com o queijo de Alagoa temperado com manjericão. Ele divide o trabalho com sua família, que inclui a esposa, três filhos e duas noras que fazem todo o processo, desde a criação do gado, passando pela ordenha, produção, maturação, e a distribuição dos queijos.

Desde 2009 ele participa de cursos, capacitações, treinamentos e oficinas do Sistema FAEMG e diz que, sem esse apoio, jamais teria chegado ao produto de excelência que possui atualmente. “Isso já começou algum tempo atrás, quando fiz curso de alimentação de bovinos de leite. Depois veio o de inseminação artificial, e, de lá para cá, a gente sempre tem procurado fazer cursos para aprimorar nosso conhecimento, facilitar o trabalho, e com certeza tem feito muita diferença”.

Para Francisco, o prêmio é o reconhecimento do empenho de todos em sua propriedade. “Estou muito feliz. Mais um prêmio para nossos queijos, isso é sinal de que estamos trabalhando certinho, com muita dedicação e amor no que fazemos”.

5º lugar em Aiuruoca

Aiuruoca, vizinha de Alagoa, fica a 1000 metros de altitude, tem cerca de 6 mil habitantes e é reconhecida por sua grande variedade de opções em ecoturismo, com mais de 80 cachoeiras catalogadas, além do atrativo principal, o Pico do Papagaio, que dá o nome à cidade. A altitude, as montanhas, o clima e a criação de gados selecionados são o principal atrativo do queijo produzido na propriedade do Arnaldo Borges, da Fazenda JM, que ficou em 5º lugar no concurso do CNA. Ele também é assistido pelo ATeG desenvolvido no município e começou a produzir queijos há pouco mais de cinco anos, investindo em produtos de qualidade utilizando apenas matéria prima com garantia de origem.

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Todo o leite usado na produção vem do gado jersey criado solto em pastagem e com bezerro no pé. Ele acredita que o tratamento do animal contribui para a qualidade final do produto. “Eu já li sobre projetos em que as pessoas criam gado com música clássica. Digo isso para ilustrar que quando damos bom tratamento ao animal, ele percebe esse amor e te retribui da melhor maneira, com saúde, qualidade de vida e produtos de qualidade”. Ele disse que entrou para ganhar, mas, para uma queijaria jovem em sua primeira participação, o resultado foi bastante positivo. “Nas minhas próximas participações, vou caprichar ainda mais no produto. Eu, como produtor e consumidor, sei que o queijo que produzo é delicioso. Quero mostrar isso para mais pessoas e em mais lugares”.

Ferramenta de transformação de vidas

O sabor forte e a textura únicos fizeram a região, apenas neste ano, ser premiada em diversos concursos, sendo o mais recente, o Prêmio CNA Brasil Artesanal. No mês passado, 11 queijos da cidade de Alagoa foram premiados na ExpoQueijo Internacional de Araxá, sendo que quatro deles, incluindo a queijaria do seu Francisco, a Sabor da Alagoa, levaram a medalha de ouro. Na cidade de Aiuruoca, a assistência técnica e gerencial é prestada por Suélei Aparecida dos Reis; já em Alagoa, a técnica responsável é Renata Santos.

“A ATeG agroindústria visa capacitar os produtores para produzir alimentos com base nas boas práticas de fabricação e na legislação vigente e busca principalmente abertura de mercados formais, agregando valor aos produtos artesanais, aumentando a renda e a produtividade dessas famílias”, afirmou Paula Rita Lobato, analista de assistência técnica e gerencial e coordenadora do ATeG Agroindústria. Além disso, a assistência também realiza análises a respeito da propriedade. “Nossos produtores contam com a elaboração do diagnóstico de seu empreendimento, determinando os pontos fortes e fracos da propriedade. A partir disso, criamos soluções específicas por meio de visitas personalizadas, analisando separadamente cada situação, levando inovações que resultem em eficiência econômica”.