CNA analisa impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia no agro
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Entidade participou de audiência pública conjunta na Câmara dos Deputados

31 de maio 2022
Por CNA

Brasília (31/05/2022) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na terça (31), de uma audiência pública conjunta da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) e da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS) para debater os impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia.

O encontro abordou os impactos da guerra no agronegócio e no cenário geopolítico global, além dos efeitos econômicos e sociais no Brasil.

A coordenadora do Núcleo de Inteligência de Mercado da CNA, Natália Fernandes, destacou os pontos que mais afetaram o setor agropecuário, como o aumento dos preços de petróleo, gás, fertilizantes e commodities. O Índice de Preços dos Alimentos – medido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) – atingiu recordes entre janeiro e abril de 2022, com altas de 28% para óleos vegetais, e 20% para os grãos, entre outros exemplos.

Segundo ela, a Ucrânia é um importante fornecedor mundial de milho, trigo, petróleo e gás natural. Já a Rússia representa a principal origem de fertilizantes para o Brasil, além de ser um grande fornecedor de trigo também.

A importação de fertilizantes segue sendo um dos maiores desafios para o País. Das 45,8 milhões de toneladas entregues ao mercado brasileiro em 2021, 90,8% foram importadas. A maior dependência internacional é por fertilizantes potássicos e nitrogenados.

“A possibilidade de o Brasil eliminar a dependência da importação de fertilizantes não é considerada até 2050. Uma redução da dependência dos atuais 90% para 60% dependerá dos resultados da prospecção de reservas minerais de potássio, rocha fosfática e de uma melhor organização do mercado de gás natural”, afirmou Natália.

Conforme a coordenadora do Núcleo de Inteligência de Mercado da CNA, os fertilizantes chegaram a subir, aproximadamente, 70%, e a próxima safra será mais cara. A expectativa é que o custo de produção de soja, em Cascavel (PR), aumente 45%. O valor para a produção de milho 2ª safra, em Rio Verde (GO), será 49% mais alto.

Natália também alertou para a queda dos estoques mundiais de grãos e os problemas climáticos que reduziram o potencial da safra no Brasil, como a estiagem que trouxe prejuízos para culturas de 1ª safra, redução de 10,6% na safra de laranja 21/22, menor produção de café para um ano de bienalidade alta e quebras de produção de hortifrútis.

Ela ressaltou, ainda, a importância de políticas de incentivo para a produção de alimentos – principalmente incremento de crédito rural – e do fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes para reduzir a importação desses insumos.

O debate também contou com a participação do embaixador e secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Paulino Franco de Carvalho Neto; do professor da Escola Superior de Guerra, Ronaldo Carmona; e do professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Raphael Padula.

Assessoria de Comunicação CNA
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