São Paulo
Artesanato: tradição, geração de renda e terapia

Por meio de bordados, desenhos e muita criatividade as mulheres paulistas estão mudando a realidade de suas vidas
O artesanato desempenha um papel fundamental no interior paulista, tanto na preservação da cultura local quanto na geração de renda para muitas famílias. Em diversas cidades, a produção artesanal está diretamente ligada às tradições regionais, como a cerâmica de Cunha, os bordados de Ibitinga e as esculturas em madeira de São José dos Campos. Além de manter vivas essas expressões culturais, o artesanato também impulsiona o turismo, uma vez que feiras e mercados de produtos feitos à mão atraem visitantes interessados em peças únicas e na história por trás de cada criação.
Para Solange Vieira, instrutora do Senar-SP há cinco anos na histórica Iguape, a transformação que o artesanato tem feito na vida de muitas mulheres é visível. Muitas estavam sem perspectivas e encontraram no trabalho manual a forma de ganhar dinheiro e construir uma vida melhor. Outras, frisou, usaram como terapia, para vencer crises de ansiedade e voltar a enxergar o mundo com as cores da nova esperança.
“É um orgulho ver que muitas mulheres chegaram ao sindicato rural sem expectivas e hoje já participam de feiras e vendem suas obras em lojas de souvenirs em suas cidades, tendo independência financeira. Outras ainda usaram o trabalho como forma de vencer medos e reencontrar-se com a vida e a felicidade”, comemorou Solange.
A história de Selma de Andrade é um desses exemplos. Convidada a fazer os cursos de bordado e macramê no Sindicato de Juquiá, ela, a princípio, pensou em recusar, já que estava passando por crise de fobia social e depressão. Combateu os medos e teve nas companheiras de turma a força necessária para virar a página e reconstruir a sua vida através da arte. Hoje, com a situação financeira em dia, pontua que a conquista de novos horizontes veio através do conhecimento e do suporte que teve das demais alunas.
Artesanato, entretanto, não é algo estático. Andréa Haraki afirmou que seu interesse por artes vem desde criança. Aprendeu primeiro crochê, depois tricôt, pintura em tecido, bordado em ponto de cruz, um pouco de macramê e tear. E a busca pela atualização das técnicas tem sido uma constante em sua vida, utilizando o artesanato como terapia.
Da mesma forma, Rosi Silvi, que atualmente trabalha só com peças para ocasiões especiais, como Páscoa, Natal, Dia das Mães e Carnaval, o artesanato foi essencial para dar a ela tranquilidade, aumentar a sua criatividade e desenvolver o raciocínio lógico. Já Karmen Luz, moradora do Vale do Ribeira, disse que o artesanato sempre fez parte de sua vida. Aprendeu com o pai, caiçara e descendente de indígenas, a fazer peças para uso doméstico e para complementar a renda familiar.
“Desde cedo ele ensinou aos filhos a confeccionar cestarias e utilitários em bambu e fibras naturais, e isso sempre foi algo especial para mim. Fiz o curso da Feira do Produtor Rural e, a partir daí, comecei a fazer todos os cursos que o Senar-SP oferece na minha região. Foi como redescobrir uma parte de mim! Fui relembrando as técnicas, aprimorando meu trabalho e percebendo que era isso que eu queria para minha vida. O artesanato nunca saiu da minha vida, mas agora é o que me sustenta e me faz feliz”, frisou Karmen.
O presidente do sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)/Senar-SP, Tirso Meirelles, ressaltou a importância do trabalho que vem sendo desenvolvido em todas as regiões com economia criativa. Estimular a arte local, levando conhecimento e oportunidade para as famílias, é a grande missão dos cursos, que reforçam as especificidades das cidades e oferecem fonte de renda para a população.
“Mais que capacitar os alunos, o Senar-SP oferece, por meio de seus cursos, a oportunidade de os alunos darem um passo além em suas vidas, conquistando autonomia financeira e, em muitos casos, o controle de suas vidas e a felicidade. Aplaudo sempre a arte desses homens e mulheres que constroem peças icônicas com linhas, fibras, madeira, bambu e muitos outros materiais”, concluiu Meirelles.
Outras informações acesse o Portal FAESP/SENAR-SP