Menor liquidez pressiona preços do feijão após valorização em setembro
Indicador de Preços Cepea/CNA revelou retração das compras pelo varejo na última semana
Brasília (05/10/2026) – O mercado de feijão encerrou o mês de setembro com menor liquidez e ajustes negativos nas cotações, após as altas observadas nas semanas anteriores, segundo dados do Indicador de Preços do Feijão Cepea/CNA.
De acordo com o levantamento, a retração das compras pelo varejo reduziu a necessidade de reposição das indústrias, enquanto vendedores capitalizados limitaram a oferta para conter a pressão sobre os preços. Apesar dos recuos recentes, setembro registrou valorização mensal de 10,81% para o feijão carioca nota 9 ou superior, 11,50% para o carioca notas 8 e 8,5 e 10,69% para o feijão preto tipo 1.
Feijão carioca – Peneira 12 e nota 9 ou superior: Entre 24 de setembro e 1º de outubro, a baixa demanda dificultou a manutenção dos preços alcançados nas semanas anteriores. As maiores quedas ocorreram no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, que chegou a -5,81% e em Itapeva (SP), com redução -4,32%, enquanto Sorriso (MT) apresentou recuo de 0,89%.
Por outro lado, Barreiras (BA) registrou alta de 2,33%. Granulação, umidade e qualidade dos lotes seguem determinantes na formação dos preços.
Feijão carioca – Notas 8 e 8,5: As cotações para esse feijão recuaram em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, refletindo a menor demanda das indústrias. Itapeva apresentou a queda mais intensa, de 8,47%, seguida pelo Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba com -7,86% e Sorriso -0,75%. Apesar da correção semanal, a média de setembro ficou 11,50% acima da registrada em agosto.
Feijão preto – Tipo 1: Após as altas das semanas anteriores, o menor movimento comprador provocou ajustes nas cotações. Os preços recuaram 3,63% no Oeste Catarinense, 1,44% em Curitiba (PR) e Campos Gerais e 1,14% em Itapeva. Na Metade Sul do Paraná houve leve avanço de 0,17%. Mesmo com a correção semanal, a média de setembro apresentou valorização de 10,69% frente a agosto e de 71,93% em relação a setembro de 2025.
Safra 2026/27 e perspectivas: A semeadura da primeira safra 2026/27 alcançou 9,2% da área estimada, abaixo dos 12,8% registrados no mesmo período do ciclo anterior, mas acima da média de cinco anos, de 8,2%.
No Paraná, o plantio avançou de 18% para 39% entre 21 e 28 de setembro, permanecendo atrás dos 46% registrados um ano antes. No curto prazo, a menor liquidez e a cautela dos compradores podem limitar novas altas, enquanto a retenção de oferta pelos vendedores tende a restringir quedas mais intensas.
A atenção passa a se concentrar no avanço da primeira safra 2026/27 e nas condições climáticas, especialmente no Paraná e em São Paulo, que poderão definir a disponibilidade e a qualidade da nova oferta.