Feijão-preto tem maior cotação em dois anos, indica Cepea/CNA
Avanço do plantio da primeira safra 2026/2027 e as condições climáticas seguem no radar dos agentes do setor
Brasília (03/11/2026) - O mercado brasileiro de feijão encerrou outubro com valorização expressiva do feijão-preto, sustentada pela oferta restrita durante a entressafra. Já o feijão-carioca apresentou oscilações moderadas entre as regiões produtoras. Segundo o Cepea/CNA, o feijão-preto acumulou alta de 11,67% no mês e atingiu o maior preço nominal desde outubro de 2024.
No campo, o avanço do plantio da primeira safra 2026/2027 e as condições climáticas seguem no radar dos agentes do setor. No Paraná, a redução da área cultivada e o excesso de chuvas aumentam as preocupações em relação à produção e à oferta nos próximos meses.
Feijão-carioca – Peneira 12 e nota 9 ou superior: Entre 22 e 29 de outubro, os preços apresentaram comportamentos distintos nas regiões acompanhadas. Em Sorriso (MT), houve alta de 1,69%, influenciada pela oferta limitada de lotes de qualidade. Por outro lado, foram registradas quedas no Leste Goiano (-0,35%), Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba (-0,54%) e Itapeva (SP) (-0,79%), onde a elevada umidade dos grãos recém-colhidos pressionou as cotações.
Na parcial de outubro, a categoria acumula valorização de 1,59%. Em 2026, a alta chega a 37,44%.
Feijão-carioca – Notas 8,0 e 8,5: O mercado registrou valorização em parte das regiões produtoras, com destaque para o Noroeste de Minas Gerais, onde os preços avançaram 2,19%, impulsionados pela demanda por lotes mais claros. Em São Paulo, problemas relacionados à qualidade dos grãos pressionaram as cotações, com recuos de até 3,78% em São José do Rio Preto/Ribeirão Preto.
No acumulado de outubro, os preços apresentam alta de 1,66%. Em relação ao início de 2026, a valorização chega a 38,93%.
Feijão-preto – Tipo 1: O feijão-preto manteve a trajetória de alta em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea/Esalq. O oeste catarinense registrou a maior valorização no período, de 5,87%, seguido por Curitiba (PR), com 3,87%, e pela Metade Sul do Paraná, com 3,86%. A oferta restrita continua sendo o principal fator de sustentação das cotações.
Na parcial de outubro, os preços acumulam alta de 11,67%. Na comparação com outubro de 2025, a valorização é de 78,18%, enquanto o avanço acumulado em 2026 chega a 91,29%.
Perspectivas
No curto prazo, a oferta restrita deve continuar sustentando os preços do feijão-preto. Para o carioca, o comportamento das cotações dependerá da entrada da nova safra paulista e da qualidade dos grãos disponíveis no mercado.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o plantio nacional alcançou 25,1% da área prevista, percentual abaixo da média histórica de 26,7%. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), revisou a estimativa de área cultivada para 86,3 mil hectares, redução de 16% em relação à safra anterior. A produção está projetada em 173,2 mil toneladas, recuo de 10%.
O excesso de chuvas e a piora nas condições das lavouras aumentam as incertezas em relação à produção paranaense. Esse cenário pode limitar a oferta futura e contribuir para a sustentação dos preços do feijão nos próximos meses.