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Manejo reprodutivo por IATF cresce em todo o Brasil
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Cursos do SENAR-SP ensinam sobre reprodução de rebanhos bovinos e sobre a aplicação da técnica que é cada vez mais utilizada nas propriedades rurais

16 de setembro 2022
Por Senar

Por: SENAR-SP

Fonte: Comunicação do Sistema FAESP/SENAR-SP

A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) é uma biotécnica avançada que vem permitindo aos produtores obter mais eficiência reprodutiva de bovinos e representa um importante avanço para os rebanhos, sendo considerada um dos melhores sistemas de melhoramento genético. “Hoje, a grande maioria dos animais inseminados no Brasil são por IATF, especialmente no caso do gado de corte, que atinge um índice de quase 100%”, comenta Claudio Menezes, médico veterinário e instrutor do SENAR-SP desde 2014.

Entre as vantagens dessa estratégia de manejo está a possibilidade de realizar diferentes cruzamentos; a melhora da padronização do rebanho e das carcaças; e o controle sanitário mais eficiente. Tais ganhos decorrem do controle reprodutivo que a IATF possibilita, já que permite a indução e a sincronização da ovulação das fêmeas bovinas através de protocolos hormonais. Ao contrário do modelo de observação do cio, que é sujeito a falhas, a IATF possibilita estabelecer um calendário de inseminação e fazer o procedimento de todas as vacas em um mesmo dia – mesmo em rebanhos numerosos. Assim, o produtor pode escolher o período que melhor se ajusta aos seus objetivos, seja para o gado de corte ou para o de leite, a partir de diferentes opções de protocolos e estratégias. “Você elimina a necessidade de detecção de cio e consegue inseminar um grande número de fêmeas no mesmo dia, na mesma hora, sem a necessidade de aguardar o cio natural. Isso facilita em muito o manejo”, observa Menezes.

Expansão

Segundo o instrutor do SENAR-SP, ainda existe um número reduzido de pecuaristas que trabalham com gado de leite e optam pela inseminação através de cios naturais, mas os números mostram que a IATF está em crescimento. De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) houve expansão de 29,7% do mercado de IATF na comparação entre 2019 e 2020, ano em que foram comercializados 21.255.375 protocolos, comparados aos 16.382.488 em 2019. Esses dados são indicativos de que 89,8% das inseminações no Brasil em 2020 foram realizadas por IATF, demonstrando a consolidação dessa tecnologia no mercado de inseminação artificial.

Ainda de acordo com os dados da FMVZ/USP, no que diz respeito aos profissionais especializados – os maiores responsáveis pela eficiência desse sistema de manejo – existem cerca de 6 mil especialistas que prestam serviços no controle e na análise dos resultados dos programas de IATF, que atuaram para que as mais de 21 milhões de sincronizações nas fazendas de leite e de corte no Brasil fossem realizada em 2020.

A inseminação artificial tradicional, por cio natural, surgiu na década de 1970. Já a IATF tem seu marco inicial na década de 1990. “No início era ainda muito experimental, quem fazia eram os núcleos de pesquisa das faculdades ou veterinários muito especializados em reprodução. Não era uma tecnologia tão divulgada assim. A técnica explodiu para o mercado de uns dez anos para cá. Desde 2009, pelo menos, vários laboratórios começaram a produzir hormônios. Antes você não conseguia comprar em qualquer lugar, mas hoje a maioria das lojas agropecuárias têm duas ou três marcas de hormônio à venda”.

A gestação das vacas é diagnosticada num período aproximado de 30 dias após a realização da IATF. Caso alguma delas não esteja prenha – ou “vazia”, como se referem os pecuaristas – já é possível refazer nesses animais o chamado tratamento de ressincronização, que é, na prática, uma segunda IATF. Outra vantagem da técnica é a redução do período entre os partos, pois a IATF já pode ocorrer no período entre 30 e 40 dias após o nascimento do bezerro. “Em uma situação ideal, uma vaca dá um bezerro por ano. Mas o que acontece muito nos sítios onde não se usa um acompanhamento reprodutivo, os produtores ficam aguardando um cio natural que não acontece ou não aparece. Muitas vezes, a vaca está parida há 4 ou 5 meses e ainda não deu cio”, explica o veterinário, observando que o intervalo longo entre os partos é uma das principais fontes de prejuízos na bovinocultura.

Não existe um número “ideal” de animais para que a IATF seja aplicada, mas é claro que quanto mais cabeças, maiores as vantagens. “Em um sítio pequeno, com umas dez vacas, por exemplo, mesmo que o produtor queira inseminar um terço desse rebanho, já pode fazer uso da IATF”, declara Menezes. Mas ele comenta que em algumas localidades onde funcionam grandes propriedades rurais, com mais de mil matrizes, são inseminadas de 500 a 800 vacas no mesmo dia. “Depende do manejo da fazenda. Se você tiver um grande número de inseminadores experientes, um bom curral, um manejo bem adequado, você alcança esse número. Por isso a IATF é fundamental para quem tem rebanho grande, embora possa ser aplicada nos pequenos”, esclarece o instrutor. Um estudo publicado em 2015 apontou uma taxa de prenhez em torno de 50% a cada IATF, podendo atingir 60% e até 70% em algumas propriedades com manejo nutricional, sanitários e reprodutivos de excelência (Pubvet - Publicações em Medicina Veterinária e Zootecnia).

Cursos do SENAR-SP

O veterinário Claudio Menezes é instrutor em pelo menos dez diferentes cursos focados em bovinocultura, mas para quem tem interesse em saber mais sobre o assunto ele destaca o curso “Manejo de cria e recria”, que traz uma visão geral sobre a reprodução de rebanhos, para na sequência participar do curso de IATF – os dois cursos são ofertados tanto para o gado de corte quanto para o de leite. “Além da facilidade de acesso aos hormônios, a tecnologia começou a ser muito divulgada através do SENAR. Hoje, quando chegamos a algum sítio nos deparamos com funcionários que já sabem empregar a técnica”, explica Menezes.

Outras informações acesse o Portal FAESP/SENAR-SP