CNA debate entraves à renegociação de dívidas rurais na Modercred
Câmara temática avaliou a execução da MP nº 1376/2026, além de outras medidas para ampliar o acesso dos produtores ao crédito
Brasília (18/09/2026) - A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) discutiu endividamento rural, entre outros temas, durante a 14ª Reunião Ordinária da Câmara Temática de Crédito, Seguro e Comercialização do Agronegócio (Modercred), na quinta (17), em São Paulo.
O presidente da Câmara e coordenador de Produção Agrícola da CNA, Guilherme Rios, conduziu as discussões, que iniciou com a apresentação das atualizações da Plataforma 'Meu Imóvel Rural', com Carlos Mário Guedes de Guedes, coordenador-geral de Articulação da Diretoria de Cadastro e Regularização Fundiária do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
A plataforma é um ambiente digital voltado a proprietários de imóveis rurais, agricultores familiares e produtores rurais e reúne documentos e informações da propriedade para facilitar a gestão cadastral, a regularização do imóvel e o acesso ao crédito rural e a outras políticas públicas.
O coordenador de Política Agrícola da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Wanderson Henrique do Couto, falou do monitoramento da implementação da Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, que autoriza a criação de linhas especiais de crédito rural para a composição, liquidação ou amortização de dívidas e Cédulas de Produto Rural (CPRs).
Até o dia 16 de setembro, o monitoramento da execução da medida registrava em torno de R$ 3,19 bilhões contratados, distribuídos em aproximadamente 10,8 mil operações novas e 17,9 mil operações renegociadas. A taxa média das operações pré-fixadas estava em 8,56% ao ano, com prazo médio de 9,06 anos e ticket médio de R$ 295,7 mil.
Os membros da Câmara manifestaram preocupação com o desempenho da medida e destacaram os entraves que produtores de diferentes regiões do país têm enfrentado junto às instituições financeiras para acessar as condições previstas na MP e renegociar as dívidas.
"É preocupante que, mais de dois meses após a publicação da medida, tenhamos pouco mais de R$ 3 bilhões contratados. Mesmo o Banco do Brasil, instituição com a maior carteira de crédito rural do país, apresentou um baixo volume de operações no âmbito da medida. É necessário um ajuste nos rumos da MP para que os recursos, de fato, cheguem aos produtores”, destacou Guilherme Rios.
Ao fim da reunião, o consultor da Aprosoja-MT, Thiago Rocha, apresentou uma proposta de implementação de Fundo Garantidor de Risco de Crédito, que seria uma alternativa para evitar novas onda de endividamento no futuro. A proposta foi encaminhada para avaliação das entidades.