CNA debate agenda comercial em reunião do Grupo do Agro na OMC
Encontro discutiu desafios do sistema de comércio internacional
Brasília (22/10/2026) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reuniu, na quarta (21), em Brasília, representantes do setor agropecuário para a primeira reunião do Grupo do Agro na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Foi o primeiro encontro do grupo, coordenado pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da CNA, e formado por várias entidades do agro, para discutir questões ligadas ao comércio internacional.
Participaram do encontro a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, e a equipe da DRI.
A agenda incluiu os resultados da participação da entidade no Public Forum, em Genebra, e uma análise dos desafios do comércio multilateral. O encontro teve a participação do advogado Pablo Bentes, especializado em comércio internacional e solução de controvérsias.
A assessora de Relações Internacionais da CNA, Isadora Souza, apresentou os temas acompanhados pela entidade durante a missão realizada em setembro.
Sua atuação incluiu debates sobre segurança alimentar, serviços agrícolas, requisitos sanitários, limites máximos de resíduos no comércio agroalimentar e reforma da OMC.
Isadora participou como painelista de sessões da Organização Mundial dos Agricultores (WFO) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), além de dialogar com representantes dos comitês e das negociações agrícolas da Organização.
A previsibilidade comercial, os efeitos de conflitos e interrupções logísticas sobre produtores e consumidores, o abastecimento de insumos e o planejamento das safras estiveram entre os assuntos discutidos.
Na agenda de serviços agrícolas, a CNA apresentou a experiência do Sistema CNA/Senar em formação profissional e assistência técnica e gerencial, destacando a contribuição dos serviços, do conhecimento e das tecnologias para a produtividade e a inserção dos produtores nas cadeias de valor.
Também foram apontadas lacunas nas estatísticas que medem essas atividades. A entidade defendeu que as características da agricultura tropical sejam consideradas nos indicadores internacionais e nas discussões regulatórias.
A missão também ampliou o diálogo com a Missão do Brasil junto à OMC, organizações de produtores, WFO, FAO e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com oportunidades de continuidade das discussões e cooperação técnica.
Desafios e perspectivas – Pablo Bentes apresentou uma análise dos desafios do sistema multilateral de comércio, além de abordar as medidas dos Estados Unidos relacionadas à Seção 301, os questionamentos brasileiros na Organização, as dificuldades decorrentes da paralisação do Órgão de Apelação e as alternativas para revisão de decisões.
Ele falou, ainda, sobre a reforma da OMC, a participação dos países em desenvolvimento e os requisitos ambientais que afetam o comércio internacional, como o regulamento europeu para produtos livres de desmatamento (EUDR).