PRÉ-COP31 15 de outubro de 2026 | COP17 da Biodiversidade 19 a 30 de outubro de 2026 | COP31 de 9 a 20 de novembro de 2026
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PRÉ-COP 31 | COP17 da Biodiversidade | COP31
Evento de entrega do Posicionamento do Setor Agropecuário para a COP31 aos negociadores brasileiros e aos produtores rurais, no dia 15 de outubro, das 10h às 12h. Apresentação dos principais temas de interesse do agro que estarão em debate durante a 31ª Conferência das Partes sobre Mudanças do Clima, com destaque para agricultura e segurança alimentar, financiamento climático, adaptação, mitigação, transição justa e comércio internacional.
De 19 a 30 de outubro, Yerevan, na Armênia, receberá a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), sob o tema “Agindo pela Natureza”. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) acompanhará as duas semanas de negociações, com atenção aos temas que impactam a produção agropecuária e à valorização das contribuições dos produtores rurais para a conservação da biodiversidade.
Um dos principais focos da conferência será a primeira revisão global do progresso coletivo na implementação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. A avaliação permitirá identificar avanços, lacunas e necessidades de apoio para o cumprimento dos compromissos internacionais.
Adotado na COP15, o Marco estabelece 23 metas de ação para 2030 e quatro objetivos de longo prazo para 2050, voltados à conservação, ao uso sustentável da biodiversidade, à repartição de benefícios e aos meios necessários para sua implementação.
As discussões têm relação direta com a agropecuária. A diversidade genética, a polinização, a qualidade dos solos e a disponibilidade de água são essenciais à produção de alimentos. Ao mesmo tempo, os produtores rurais contribuem para a conservação por meio da manutenção da vegetação nativa e da adoção de práticas de manejo sustentável.
Durante a COP17, a CNA acompanhará as negociações e contribuirá com o governo brasileiro e outras partes interessadas nos temas que impactam o setor agropecuário. A entidade também participará de reuniões e eventos paralelos, levando as perspectivas dos produtores rurais para as discussões internacionais sobre biodiversidade.
Temas como negócios e biodiversidade, financiamento, bioeconomia, mudanças climáticas, conservação e uso sustentável das florestas estarão entre as discussões com implicações para o setor produtivo.
O posicionamento do setor defende que o avanço da agenda de biodiversidade considere as diferentes realidades produtivas, seja baseado em ciência e inovação e venha acompanhado de condições concretas para sua implementação, como financiamento, capacitação, cooperação técnica e transferência de tecnologia.
Porque é importante a CNA acompanhar as negociações?
A participação da CNA nas negociações da COP17 é fundamental para representar os produtores rurais brasileiros e contribuir para que as decisões internacionais reconheçam o papel da agropecuária na conservação e no uso sustentável da biodiversidade. Esse acompanhamento permite apresentar subsídios técnicos, defender a segurança jurídica e o respeito às particularidades da agricultura tropical, além de buscar financiamento e incentivos para a implementação das metas.
Durante os dias de negociação serão realizados reportes com as informações mais importantes, em coordenação com a delegação de 11 diplomatas do MRE.
A agenda de biodiversidade e agricultura destaca a importância da conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade do solo, reconhecendo sua relação direta com a segurança alimentar, a produtividade e os serviços ecossistêmicos. Para a CNA, o avanço desse tema deve combinar ciência, inovação, saúde do solo e apoio ao produtor.
As agendas de biodiversidade e clima estão cada vez mais conectadas, especialmente em temas como conservação, restauração, uso sustentável dos recursos naturais e soluções baseadas na natureza. A CNA defende maior sinergia entre essas agendas, respeitando as circunstâncias nacionais e evitando novas obrigações ao produtor rural.
O debate sobre poluição e biodiversidade envolve a redução dos impactos de nutrientes, defensivos, substâncias químicas perigosas e resíduos sobre os ecossistemas. Para a CNA, as decisões devem ser baseadas em evidências científicas, considerar as particularidades de cada bioma e atividade produtiva e respeitar os sistemas nacionais de regulação.
A COP17 também discutirá como empresas e cadeias produtivas avaliam seus impactos e dependências em relação à biodiversidade. A CNA defende que essa avaliação considere a materialidade, o porte, o setor e a exposição de cada atividade, valorizando também as contribuições positivas das empresas e do agro para a conservação.
A ampliação dos recursos financeiros é um dos principais desafios para a implementação do Marco Global de Biodiversidade. A CNA defende uma arquitetura financeira que combine recursos públicos, privados e multilaterais, além de instrumentos inovadores, sem transferir integralmente ao setor privado a responsabilidade pelo financiamento.
A COP17 deverá avançar nas regras para a repartição de benefícios decorrentes do uso de informações de sequências digitais sobre recursos genéticos. Para a CNA, o mecanismo deve garantir proporcionalidade, segurança jurídica e estímulo à pesquisa e à inovação, evitando custos excessivos e duplicidade de obrigações.
A biologia sintética estará em debate sob a perspectiva de seus potenciais benefícios e riscos para a biodiversidade. A CNA defende uma abordagem baseada em ciência, avaliação de risco caso a caso e um ambiente regulatório previsível, que permita inovação responsável e respeite as regulamentações nacionais.
A revisão do programa sobre áreas protegidas busca ampliar o reconhecimento de diferentes formas de conservação, incluindo áreas conservadas em propriedades privadas. Para a CNA, é fundamental reconhecer a contribuição da vegetação nativa preservada nas propriedades rurais e das ações de restauração para as metas globais de biodiversidade.
O programa de biodiversidade florestal busca fortalecer a conservação, a restauração e o uso sustentável das florestas, reconhecendo diferentes tipos de manejo e realidades regionais. A CNA defende uma abordagem integrada, que valorize tanto a proteção quanto o uso sustentável dos recursos florestais.
A avaliação de risco de Organismos Vivos Modificados integra as discussões de biossegurança da COP17. A CNA defende que esse processo seja técnico e científico, baseado na experiência regulatória existente e evitando a criação de estruturas ou orientações que dupliquem mecanismos já consolidados.
O debate sobre florestas envolve conservação, restauração e manejo sustentável como estratégias complementares para o alcance das metas de biodiversidade. A CNA defende o reconhecimento de paisagens produtivas, sistemas agroflorestais, integração lavoura-pecuária-floresta e manejo sustentável como contribuições legítimas para a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais.
A 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima será realizada em novembro, em Antalya, na Turquia, em um contexto de desafios geopolíticos, comerciais, logísticos e energéticos. A COP31 terá como foco o avanço da implementação do Acordo de Paris, sob presidência cooperativa da Turquia, responsável pela Agenda de Ação, e da Austrália, que liderará a agenda de negociações.
Para a CNA, a agropecuária deve ocupar posição estratégica nessa agenda, tanto por sua vulnerabilidade aos eventos climáticos quanto por sua capacidade de contribuir com soluções de mitigação, adaptação, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável. O posicionamento do setor reúne propostas para garantir que as negociações reconheçam as diferentes realidades produtivas, ampliem o acesso a financiamento e tecnologia e valorizem as práticas sustentáveis já adotadas pelos produtores rurais brasileiros.
A CNA defende a continuidade de um mandato específico para agricultura e segurança alimentar nas negociações climáticas, com foco em adaptação, transparência, financiamento e reconhecimento da diversidade dos sistemas produtivos. O objetivo é garantir que a agricultura tenha espaço próprio nas discussões internacionais e que não seja adotada uma abordagem única para diferentes realidades produtivas.
Ampliar o acesso do setor agropecuário aos recursos climáticos é uma das prioridades. A CNA defende a mobilização de recursos provenientes de diferentes fontes, o aprimoramento dos instrumentos financeiros e melhores condições de acesso a crédito, investimentos e seguros para projetos de mitigação e adaptação no campo.
A adaptação é tratada como um dos pilares centrais da agenda climática para o agro. O posicionamento busca garantir que indicadores e políticas considerem as particularidades da atividade agropecuária e que países em desenvolvimento tenham acesso a financiamento, tecnologia, capacitação e cooperação técnica para fortalecer a resiliência dos sistemas produtivos.
A CNA defende o reconhecimento dos esforços já realizados pelo setor agropecuário na redução de emissões e no aumento da captura de carbono no solo. Práticas como plantio direto, fixação biológica de nitrogênio e outras tecnologias sustentáveis devem ser reconhecidas e aproximadas de oportunidades de financiamento e remuneração pelos resultados climáticos.
As avaliações internacionais sobre emissões devem refletir as características da agricultura e da pecuária tropicais. A CNA defende o uso de ciência robusta, inventários nacionais precisos e mecanismos de transparência capazes de evitar conclusões equivocadas que possam gerar exigências inadequadas ou impactos sobre o comércio agropecuário.
A transição para uma economia de baixo carbono deve considerar as condições econômicas, sociais e produtivas de cada país e região. Para a CNA, esse processo deve preservar emprego e renda no campo, contribuir para a segurança alimentar e criar condições para a sucessão rural, sem impor modelos únicos ou gerar impactos desproporcionais sobre países em desenvolvimento.
O posicionamento da CNA busca evitar que medidas ambientais e climáticas sejam transformadas em barreiras injustificadas ao comércio. A entidade defende maior integração entre as agendas de clima e comércio, equivalência entre diferentes políticas nacionais e regras que respeitem as circunstâncias e capacidades de cada país.
A CNA defende que a COP31 avance de compromissos para resultados concretos, fortalecendo financiamento, pesquisa, desenvolvimento, tecnologia e cooperação. O objetivo é que o setor agropecuário brasileiro seja reconhecido como parte essencial da implementação dos compromissos climáticos do país, considerando seus esforços na conservação dos recursos naturais, na adoção de tecnologias sustentáveis e na garantia da segurança alimentar.