Toca da Onça Specialty Coffee abre portas para novos mercados com apoio do agroBR

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A fazenda familiar da Mantiqueira de Minas transformada por Luciana Flores conquista compradores do Chile e busca ampliar sua presença no mercado externo 

A história da Toca da Onça Specialty Coffee é um encontro entre tradição e reinvenção. A fazenda da família, localizada em Campanha (MG), produz café há mais de 40 anos. Durante décadas, o café era commodity, vendido sem separação de variedade ou processamento, como tantas outras propriedades da região. Tudo mudou quando, em 2022, após o falecimento do pai, Luciana Flores decidiu assumir a gestão e transformar o legado recebido. 

Arquiteta de formação, com pós-graduação em sustentabilidade, ela carregava a memória afetiva do campo, as temporadas com a família na fazenda e a admiração pelo trabalho dos pais. Mas havia também um olhar técnico, atento às oportunidades de evolução, que foi ganhando força conforme estudava agricultura regenerativa, pós-colheita e novos modelos de produção. A transição foi natural: organizar a casa, buscar especialistas, estruturar processos e iniciar um novo ciclo da propriedade. 

Quando o café mudou de patamar 

Luciana mergulhou no universo do café especial ao lado da equipe e com o apoio da Coopervass , que contribuiu desde o início com orientação técnica e melhoria da pós-colheita. Visitou outras fazendas, estudou diferentes métodos e entendeu que cada produtor constrói seu próprio caminho. 

A Toca da Onça começou a ganhar ritmo. Vieram reconhecimento e resultados, incluindo o 1o. Lugar da categoria natural do 11o. Concurso de Cafés Especiais da Coopervass m 2022 e a classificação entre as 100 melhores do Florada 2023, participação em concursos regionais, viagens técnicas e presença em eventos internacionais na Suíça e em Copenhague. A fazenda também conquistou o Certifica Minas e o Certificado internacional Regenagri, reforçando os avanços na gestão ambiental e na qualidade do produto. 

Hoje, a propriedade produz variedades como Topázio, Arara, Catuaí, Bourbon e Mundo Novo, cada uma manejada com cuidado que começa muito antes da colheita. 

Agricultura regenerativa como base do futuro 

A transformação também passou pelo solo. Luciana adotou práticas regenerativas adaptadas à realidade da fazenda. Houve investimento em adubo organomineral, compostagem, controle biológico, análise constante de solo e folha e uso de cobertura vegetal com sementes específicas para fortalecer a saúde do solo. Ela também ampliou o plantio de espécies nativas no entorno das lavouras, mantém um pequeno viveiro de mudas e utiliza ervas espontâneas como indicadores naturais de equilíbrio ambiental. 

Além disso, implementou fossas sépticas adequadas, reorganizou a triagem de resíduos, aprimorou o manejo da água e instalou energia fotovoltaica para reduzir impactos ambientais. Segundo Luciana, os resultados dessas práticas começam a aparecer em cerca de dois anos e têm sido essenciais para enfrentar extremos climáticos como geada, seca e chuva de pedra. 

O conjunto dessas ações, aliado ao cuidado diário da equipe, consolidou o padrão de qualidade que hoje caracteriza o café da Toca da Onça. 

Da coragem ao acesso: o caminho da exportação 

Luciana já tinha familiaridade com o exterior. Morou fora, fala inglês fluentemente e o marido é escocês, o que ajudou nas primeiras conversas com torrefadores do Reino Unido e da Irlanda do Norte. Ela conta, porém, que ingressar no mercado internacional exige estrutura e estratégia para além dos contatos pessoais. 

Foi exatamente isso que encontrou no Projeto agroBR durante a Semana Internacional do Café. O programa ofereceu organização, compradores previamente selecionados, reuniões estruturadas e suporte especializado. Para quem sempre conduziu tudo sozinha, a diferença foi imediata. 

Nas rodadas de negócios, Luciana percebeu que estava diante de importadores que dificilmente encontraria sem o programa. As conversas avançaram rápido e uma delas se transformou em oportunidade concreta. 

Da Mantiqueira de Minas para o Chile: um contêiner ganha forma 

Entre os interessados estava uma torrefação do Chile que demonstrou intenção de comprar um contêiner inteiro. O volume necessário era maior do que a produção disponível da Toca da Onça naquele momento, mas a solução veio da parceria: parte do contêiner será composta por lotes especiais da fazenda e o restante será completado pela Coopervass. 

Preço, reserva e direcionamento já estão alinhados. O embarque está previsto para fevereiro e é celebrado com entusiasmo por Luciana, que vê na exportação um passo importante da nova fase da Toca da Onça Specialty Coffee. 

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““O agroBR me colocou em contato direto com compradores internacionais que eu dificilmente encontraria sozinha. Essa estrutura faz toda a diferença para quem está dando os primeiros passos na exportação.” - Luciana Flores”