O impulso que faltava para a Bona Fruit cruzar fronteiras

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Bona fruit

Empreendimento do ramo de açaí ganha escala, visibilidade e novos mercados a partir de orientações e vivências com o agroBR 

Em 2022, a pedagoga amazonense Letícia Castro Barreto, de 25 anos, ingressou no universo do agronegócio ao lado do marido, o paraense Mário Fernando. Eles adquiriram uma propriedade em Belém, que contava com aproximadamente 20 mil pés de açaí e uma pequena fábrica de polpas, voltada para o comércio local e as regiões Sul e Sudeste do país. O objetivo do casal era investir no mercado internacional e, para isso, iniciou a automatização e organização de processos da fábrica Bona Fruit.  

O desejo de cruzar a fronteira era grande, mas esbarrou na inexperiência em relação à dinâmica do comércio com o exterior. Letícia e o marido, então, investiram, durante mais de um ano, de R$ 6 mil a R$ 8 mil por mês em consultorias privadas. “Queríamos entender como funcionavam o mercado internacional e as prospecções, quais eram as certificações necessárias, as embalagens adequadas, para quais países era melhor vender”, explica Letícia, que exerce o cargo de diretora Financeira e de Exportação da empresa. 

Ela lembra que, naquele período, o casal chegou a pensar em desistir do sonho. “A gente gastava muito dinheiro e não via resultado.” Segundo a amazonense, os processos só começaram a fluir após a dupla conhecer o agroBR, em 2023, por meio da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa).  

Foram quatro meses de capacitação não apenas sobre o mercado internacional, mas as boas práticas para a produção do açaí e dos produtos derivados do fruto. Além das aulas, o agroBR proporcionou ao casal a participação em rodadas de negócio, a confecção de folder e outros documentos em inglês e espanhol, a divulgação da empresa no site do projeto e a prospecção de clientes de outras nacionalidades.  

Durante esse período, a Bona Fruit obteve certificações necessárias para o comércio externo, como a de produtos orgânicos e a que garante a segurança do processamento do açaí.  

““Com o agroBR, a gente conseguiu entender as peculiaridades de cada mercado. Tivemos que adequar, por exemplo, as embalagens, a rotulagem. E começamos a ter uma visão mais consolidada, entender o que o mercado exige, o que preciso ter e fazer para conquistar os clientes”, relata Letícia.  ”

Em junho de 2024, a Bona Fruit realizou a primeira exportação: 20 toneladas de sorbet de açaí para a Austrália. O cliente ficou tão satisfeito que a venda ocorre todos os meses desde então. No fim de 2024, Letícia e Mário Fernando participaram da Exporta Mais Belém e iniciaram exportações para o Japão e negociações com clientes de China e Dubai. Em abril de 2025, o casal conheceu potenciais compradores norte-americanos e israelenses na Exporta Mais Brasil, em São Paulo. 

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PERSPECTIVAS - Atualmente, a empresa fabrica por mês, entre produtos tradicionais e orgânicos, 280 toneladas de polpa de açaí e 180 toneladas de sorbet. Cerca de 30% da produção é voltada para o público externo. “A perspectiva é de que, daqui a um ano, esse número dobre. É gratificante ver o nosso produto sendo consumido e elogiado no mercado Internacional”, comemora Letícia.  

A Bona Fruit conta com 32 funcionários, 20 a mais do que no período anterior ao início das consultorias do agroBR, e 40% do faturamento da empresa vem do comércio com o exterior. Para ampliar esse percentual, o casal desenvolve um novo produto, voltado para o público norte-americano: “É uma polpinha, de 100 gramas, de açaí com guaraná. Já estamos em negociação com eles”, afirma a diretora financeira.  

SUSTENTABILIDADE - Outra medida que atrai o olhar estrangeiro é a preocupação da fábrica com o meio ambiente. Nos atuais 30 mil pés de açaí, o casal utiliza apenas adubação orgânica e os processos de extração seguem padrões de sustentabilidade, característica frequentemente exigida pelo mercado externo.