Novos horizontes para os limões de Rogério Rafael 

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Com auxílio do agroBR, produtor muda perfil da Natural Citrus, começa a atender países europeus e 70% do faturamento da empresa passam a ser de exportações 

 

Depois de 35 anos atuando como executivo de uma empresa de alimentos, Rogério da Silva Rafael, de 67 anos, aposentou-se em janeiro de 2020 com planos de viajar e aproveitar a família. Mas o mundo deu uma reviravolta e, dois meses depois, a pandemia de Covid-19 o levou a se isolar com a esposa em seu sítio, na cidade de Vera Cruz (RN). 

Publicitário de formação, ele reencontrou no sítio a afinidade e a paixão pela terra. Lá, mantinha uma plantação de 10 mil pés de limão. A Natural Citrus, negócio que tocava há mais de 20 anos em paralelo ao emprego na iniciativa privada, destinava toda a produção à empresa de alimentos onde Rogério trabalhava no setor de comunicação. “Mas, depois de uns 15 anos, assumi a área comercial e aí não podia comprar de mim mesmo. Então, vendia para o varejo potiguar”, lembra o pernambucano de origem, que vive há mais de 40 anos no Rio Grande do Norte.  

Isolado na propriedade e “sem ter o que fazer”, Rogério Rafael decidiu cuidar da produção com afinco. Retirou os 10 mil pés, que já duravam duas décadas – e, portanto, tinham pouca vida útil - e plantou 25 mil, com um olhar atento para todas as etapas do processo. “Foi um recomeço. Como sempre fui comprador, entendia as necessidades e deficiências do mercado. Comecei a trabalhar esses aspectos, sabia que precisava agregar valor. Passei anos construindo uma empresa para os outros e agora tinha a oportunidade de construir o que almejava”.   

Em 2022 e 2023, a dedicação deu resultado. As plantas começaram a produzir e os limões se destacaram pela qualidade, o que despertou o interesse de distribuidores que vendiam frutas para todo o Nordeste. “Nesse período, a gente construiu uma imagem forte no varejo e as pessoas começaram a me perguntar o porquê de eu não exportar”, lembra. 

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“O agroBR quer que o seu negócio dê certo. Não fazem o seu trabalho, mas pegam na sua mão, te orientam, te conduzem, fazem você se sentir confiante”

POTENCIAL DE EXPANSÃO 

O produtor, então, percebeu que tinha potencial para expandir as vendas e buscou orientação e parcerias. Por meio da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern), conheceu o projeto agroBR, que ofereceu apoio e suporte por mais de um ano. “Eu já tinha noção clara de como funcionava o mercado, da qualidade necessária, só que eu tinha a experiência de comprar do exterior e não de vender para fora. Então, precisava entender como era essa dinâmica”, explica o agricultor, ressaltando a eficiência dos profissionais do agroBR. “A consultora Amanda Lopes foi fantástica, uma profissional que se dedicou ao máximo a passar todas as informações de forma simples e didática. Ela me incentivava em todos os momentos. Dizia que eu era um desbravador, que tinha orgulho de mim, que eu conseguiria atingir o objetivo”, conta. 

Segundo Rogério Rafael, além de compreender o funcionamento do modelo de gestão da exportação, ele recebeu informações sobre participação em feiras internacionais, documentações necessárias – com tradução para outras línguas, incluindo japonês e árabe – e contatos de potenciais clientes estrangeiros. “O agroBR quer que o seu negócio dê certo. Não fazem o seu trabalho, mas pegam na sua mão, te orientam, te conduzem, fazem você se sentir confiante”, diz. 

100 CONTÊINERES 

Em abril de 2024, o agricultor participou da primeira feira internacional em São Paulo, a Fruit Attraction. Lá, fez contatos que renderam uma venda para um cliente da Espanha. Foram 18 contêineres, cada um com aproximadamente 25 toneladas da fruta.  

De lá para cá, passou a negociar com Polônia, Inglaterra, Holanda e países escandinavos. “Esse ano, temos a projeção de exportar mais de 100 contêineres. Se Deus permitir, exportaremos 2,5 milhões de quilos de limão Tahiti.” Hoje, as vendas para fora do país representam 70% do faturamento da Natural Citrus.  

No Brasil, Rogério Rafael atende principalmente estados do Nordeste, como Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Como a demanda por limões, tanto interna quanto no exterior, ocorre o ano todo, o produtor precisou fazer alianças com agricultores de outros estados. Agora, tem plantio na Bahia e em São Paulo, além das terras no Rio Grande do Norte. “No Rio Grande do Norte, temos 22.000 plantas produzindo. Minha ideia é duplicar essa produção”, planeja. 

 

2,5 milhões de quilos: quantidade de limão Tahiti que o produtor Rogério Rafael espera exportar em 2025.