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Santa Catarina

Webinar aborda o “Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado do Milho e Soja”
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Os eventos, realizados ao vivo em vídeo abertos ao público (Sindicatos, lideranças, produtores, técnicos e demais interessados) oportunizaram discutir vários assuntos do mercado do agronegócio com palestras conduzidas por renomados especialistas

29 de dezembro 2023

Por: MB COMUNICAÇÃO

Fonte: SISTEMA FAESC/SENAR

Com o tema “Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado do Milho e Soja”, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e a Safras & Mercado encerraram a série de webinars promovidas desde maio deste ano. Os eventos, realizados ao vivo em vídeo abertos ao público (Sindicatos, lideranças, produtores, técnicos e demais interessados) oportunizaram discutir vários assuntos do mercado do agronegócio com palestras conduzidas por renomados especialistas.

O presidente do Sistema Faesc/Senar e vice-presidente de Finanças da CNA, José Zeferino Pedrozo, avaliou a programação de forma extremamente positiva. Destacou que a parceria com a Safras & Mercados – consultoria de maior referência no agronegócio brasileiro e de abrangência internacional – oportunizou informações mercadológicas que ajudam os produtores e empresários rurais a planejar melhor a produção e a venda das safras.

O vice-presidente executivo da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo, conduziu a abertura e o encerramento deste último evento de 2023 e adiantou que nova parceria com a Safas & Mercado será firmada em 2024. Agradeceu o especialista e consultor da Safras & Mercado, Paulo Roberto Molinari, pela “exposição segura e repleta de informações que são essenciais para embasar os produtores catarinenses a tomarem as melhores decisões”. Também cumprimentou o público por aproveitar essa valiosa oportunidade de conhecimento.

Paulo Roberto Molinari iniciou sua explanação falando sobre os riscos do milho e da soja em 2023. Abordou o clima ( El nino ), o fator cambial (juros dos EUA e nova política econômica no Brasil), exportações brasileiras, safra 2024 na América do Sul e visão 2023/2004. Comentou sobre a oferta e demanda do milho nos Estados Unidos, na Argentina e no Brasil, bem como sobre o farelo de soja (registro de embarques), entre outros assuntos.

Depois de detalhar a situação climática, destacou que a chance de obter sucesso na comercialização de soja está neste primeiro trimestre ou no final do ano com a entressafra brasileira. “Ou vende no primeiro trimestre ou lá na frente. Se comercializar agora, em abril e maio, possivelmente pagará com o pior preço do ano novamente porque, além da entrada da safra da Argentina em abril, há estimativa de maior área de soja nos Estados Unidos. E isso não ajuda o preço a subir. Eles plantaram milho demais esse ano e agora terão que fazer a rotação de cultura”.

O palestrante prosseguiu assinalando que isso não afeta muito o Brasil, mas é um dado importante. “Quadro americano de milho é muito tranquilo. No dia 10 de janeiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) atualizará o dado final da safra 2023 americana – colheita recorde com consumo muito bom e com aumento de estoque”.

Por isso, o Brasil conseguiu um espaço na safrinha 2023 para ter um excelente resultado exportador porque o comprador do mercado externo, quando não tem na Argentina, vem para o Brasil. “E veio! Neste ano de 2024 teremos a Argentina voltando a produzir uma safra possivelmente recorde de milho e com um câmbio agora hiper desvalorizado”, ressaltou.

Molinari afirmou, ainda, que o El ninho e o câmbio na Argentina ajudam muito o País e a Argentina virá com pressão de oferta a partir de março. A Ucrânia está em guerra ainda, mas segue produzindo sem problema algum. A Europa também colheu uma safra que não foi tão boa quanto esperava, mas é regular. Vai importar 24 milhões de toneladas em 2024. E a diferença para Europa, de 2023 para 2024, é que esse ano ela não teve a Argentina para comprar milho. Por isso, adquiriu do Brasil em maior volume. No ano que vem terá a Argentina para se abastecer e, por isso pode reduzir, a demanda em cima do milho brasileiro na safrinha 2024.

CHINA

A China é o grande fato novo do milho no Brasil, pois assinou o acordo sanitário do ambiente da cultura no ano passado e este ano veio com tudo. Já embarcou no Brasil 13 milhões de toneladas e, até janeiro, deve embarcar cerca de 16 milhões de toneladas de compras do Brasil. “Ela já é a grande compradora de soja brasileira e será de milho também”.

O Paraguai colherá uma ótima safra de soja. A partir da primeira semana de janeiro o grão começa a entrar nesse País e, em seguida, essas primeiras colheitas darão entrada para a soja safrinha. O Paraguai perderá área de safrinha, reduzindo a oferta de milho para o ano que vem. “O Sul Brasileiro se abastece do Paraguai e por isso o País é importante para Santa Catarina”.

Com a safra americana cheia, Europa melhor, Ucrânia diminuindo o problema da guerra, entre outras questões, os preços em Chicago bateram o seu fundo (dos 4 dólares e meio por bushel). “Para o preço do milho voltar a subir em Chicago e influenciar o mercado brasileiro são necessários dois aspectos daqui para a frente. Um deles é a exportação semanal forte americana. Como o Brasil está saindo na exportação agora é muito provável que a exportação americana comece a deslanchar. E se for muito alta, acaba reduzindo o estoque e fazendo com que o preço se recupere”, ressaltou Molinari.

O outro ponto é a recuperação do preço do trigo. “O cereal caiu muito com a pressão de venda da Rússia que colheu uma safra recorde esse ano e continua vendendo, mas vem diminuindo o seu ritmo. Se entrarmos no primeiro trimestre com a Rússia afirmando que diminuirá as vendas e a exportação do trigo, o preço dessa cultura sobe de preço e leva o milho junto. Se o milho aumentar na bolsa de Chicago nosso preço subirá para a safrinha 2024”, justificou o especialista.

CAUTELA

Entre outras questões, o palestrante realçou que 2024 será diferente de 2023. “Será necessário ser mais proativo na compra de milho. Se você for vendedor terá que ter um pouco mais de cautela. E para quem compra também será preciso equalizar no preço de exportação.

Molinari frisou, ainda, que este boom de exportação vivido em 2023 batendo recorde de embarque todo mês não se repetirá em 2024. “E nós não venderemos todo esse volume no farelo porque a Argentina tem 40% de tudo que se exporta no mundo e, por isso, manda no preço desse item”.

Outros pontos em destaque estiveram relacionados à necessidade de continuar observando o clima na América do Sul porque o jogo ainda não terminou. Entre as sugestões, Molinari apontou a necessidade de olhar os dados da Rússia porque é ela quem manda no trigo e, caso pare de vender, o cereal sobe. “Se o trigo subir, ajuda o milho”.

Por fim, falou da inflação nos Estados Unidos e o ritmo de juros em 2024, abordou a nova política econômica brasileira, realçou que as commodities perderam a força com juros em alta e dólar forte, reforçou o pedido de atenção à economia da China, frisou que o clima EL nino segue em 2024, que trigo continua dependendo do fluxo da Rússia e, que em 2024, haverá vendas pelo bom nível de Chicago, mas sem descolar da compra de insumos, entre outros aspectos.

PARCERIA FAESC E SAFRAS & MERCADO

A parceria entre Faesc e Safras & Mercado oportunizou promover eventos em maio (Cenário de oferta e demanda global e perspectivas do mercado do milho e soja), em junho (Perspectivas e tendências do mercado de fertilizante), em julho (Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado de Carnes - Boi) e em agosto (Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado do Milho e Soja). Também foram realizados eventos em setembro (Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado do Arroz), em outubro (Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado de Carnes - Boi) e em novembro (“Cenário de oferta e demanda global, perspectivas de mercado do Arroz").

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