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Como os cursos do Senar-SP auxiliaram uma pequena produtora a viver uma trajetória de sucesso

6 de outubro 2022
Por Senar

Por: SENAR-SP

Fonte: Comunicação do Sistema FAESP/SENAR-SP

Os cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP) transformam vidas e impulsionam carreiras de pequenos e médios produtores em diversos setores da atividade rural. É o caso de Sonia Araújo, de Capão Bonito, um município no sudoeste paulista. Ela teve contato com os cursos do Senar-SP no início dos anos 2000, quando teve aulas de minhocultura e passou a comercializar humus. Daí em diante, foi aluna em diversos outros cursos, aproveitando ao máximo essa janela para o conhecimento que a entidade lhe possibilitou. “O Senar abriu a minha mente para essas questões do campo. Aprendi a ter um olhar diferenciado a tudo que é relacionado a agricultura”, diz Sonia.

Quando, em 2017, ela participou do Programa Empresário Rural (Proer) oferecido pelo Senar-SP, passou a ter uma visão não só do ponto de vista do trabalho com a terra e com plantas, mas principalmente no aspecto de ter a agricultura como base para criar um empreendimento. “Depois que fiz o Proer, descobri que é possível aproveitar cada metro quadrado de terra”, explica. Ela fez outros cursos, como de Olericultura Orgânica, de Alimentos Processados e Culinária Regional, e muitos outros, pelos quais aprendeu a lidar com as plantas desde a muda, passando pela germinação, tempo certo de plantio e de colheita, a sazonalidade no processo de cultivo e como se beneficiar economicamente dos resultados de seu trabalho.

“Sonia é uma aluna que sempre busca saber mais, nos criva de perguntas, é uma verdadeira guerreira”, define Fanny Paulina, instrutora no Senar-SP há mais de 20 anos, que ministrou para ela o curso de turismo rural. Turismo pedagógico, danças folclóricas e manipulação de alimentos foram outros temas ministrados pelo Senar-SP que tomaram parte da agenda de cursos da produtora, sempre visando empreender a partir de sua propriedade, em sintonia com o marido, José Roberto. Acumulou conhecimento teórico e prático, com muito trabalho e força de vontade. Tornou-se coordenadora de turismo de Ribeirão Grande, um município vizinho de Capão Bonito, conquistando para a cidade a classificação de MIT – Município de Interesse Turístico, um dos 145 do estado de São Paulo. Além disso, em 2019, também estava envolvida no projeto Roteiro do Milho, que teve como objetivo realizar uma cartografia da culinária do alimento, constituindo um roteiro gastronômico entre sete municípios do sudoeste paulista.

Mas a vida lhe impôs uma pausa abrupta: seu filho Augusto, hoje com 27 anos, sofreu um grave acidente que o deixou completamente dependente de cuidados. A agitada Sonia se viu, de repente, confinada a uma nova rotina com o filho, assustada e desorientada, como ela mesma se definiu. Alguns meses depois, visitou a propriedade da pesquisadora parceira no Roteiro do Milho, Cristina Fachini, que estava iniciando um projeto de ervas medicinais. “Eu cheguei de manhãzinha e quando vi as abelhas, mamangavas, borboletas e senti os aromas da lavanda, do manjericão, da melaleuca, tudo aquilo ‘me abraçou’ e pensei: ‘é com isso que quero trabalhar’. No mesmo dia, levei meu marido à casa dela para conhecer e, de volta ao nosso sítio, ele já preparou um pedacinho de terra para mim”, explica sobre essa virada em sua vida e o recomeço nos negócios relacionados a plantas, com a criação do “Jardim dos Saberes”.

Em sua propriedade de 12 hectares, ela planta e desidrata ervas aromáticas e medicinais. Sua ideia inicial era aliar a produção das ervas com o turismo pedagógico, para receber pessoas em busca de um estilo de vida mais saudável, para manutenção da saúde mental e física. Mas por causa da pandemia, ela teve de rever os planos, focando na comercialização de ervas aromáticas, medicinais e plantas ornamentais. “Nunca se ouviu falar tanto em terapias holísticas. Foi então que vislumbrei a perspectiva desse mercado.

Essa visão a respeito de negócios eu aprendi nos cursos do Senar-SP”, lembra a produtora.

Quando faz um retrospecto, a proprietária fica surpresa com os excelentes resultados colhidos em pouco tempo e conclui que o empreendimento a auxiliou não apenas na área financeira, mas deu um norte para sua própria vida. Para Sonia, os cursos do Senar-SP trouxeram o conceito de que “tudo se vende, há clientes para todos os produtos. Precisamos aprender a valorizar cada item, cuidar melhor da terra, manter a propriedade organizada e de forma sustentável”, ensina.

Até mesmo a cozinha, tão útil para processar os itens, foi legado de um dos cursos do Senar-SP em sua propriedade. “O cômodo foi construído após o aprendizado no curso de pedreiro”, explica Sonia. Além da parceria do marido, ela tem a ajuda da filha, Joana, responsável por comercializar os produtos em uma grande plataforma de comércio eletrônico. Hoje o carro-chefe do Jardim dos Saberes (@jardimdossaberes) são os bastões de ervas aromáticas, utilizados como incensos naturais, dos quais Sonia comercializa de 250 a 300 unidades por mês.

Agora que a pandemia de Covid já não oferece tantos riscos, ela quer retomar o projeto de turismo pedagógico. Em janeiro, ela pretende pegar de volta uma parte da propriedade que está arrendada para agricultura, ampliar sua plantação das ervas aromáticas e medicinais e começar a receber visitantes, a partir de meados de 2023, para um turismo inclusivo, voltado a pessoas com deficiência. “Lidando com o meu filho, percebi como são escassas as opções neste segmento”, diz Sonia. Dos 12 alqueires do sítio Boa Vista, cerca de 6 estão arrendados para agricultura, há uma área não agricultável, de pinus e eucalipto, conforme prevê a legislação ambiental, além da porção destinada ao cultivo das ervas.

Desde o início, Sonia envolveu o filho Augusto na produção, o que foi muito benéfico. Por conta do acidente ele havia passado vários meses com sonda nasal, perdeu temporariamente o olfato e lidar com os aromas naturais o estimulou, auxiliando também no ganho de apetite. “Mexer nas plantas foi sempre muito prazeroso para ele. Ele está sempre comigo, aprendeu a falar novamente, entende o que eu faço e tem o maior orgulho da nossa atividade” diz Sonia, emocionada. “Se eu não tivesse passado pelas experiências dos cursos do Senar, não conseguiria hoje trabalhar nas coisas que gosto e me fazem bem”, conclui.

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Outras informações acesse o Portal FAESP/SENAR-SP