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Processamento Caseiro de Pães: curso do Senar-SP atrai produtores rurais e donas de casa
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Treinamento rende amizades e trocas de ideias para a evolução dos participantes

1 de novembro 2022
Por Senar

Por: SENAR-SP

Fonte: Comunicação do Sistema FAESP/SENAR-SP

A produtora rural Renata Leme lutava na cozinha. Por mais que tentasse e lesse receitas, seus pães caseiros não saíam como desejava. A massa não crescia, ou não ficava fofinha, ou endurecia de um dia para o outro. Por isso, quando Renata soube que o Sindicato Rural de Bragança Paulista realizaria o curso “Processamento Caseiro de Pães”, logo fez a inscrição. “Entrei no curso para aprender a fazer pão, porque sempre tem um segredo, não é? Eu fazia e no dia seguinte ficava duro”, conta.

A experiência valeu a pena. Com as aulas teóricas e práticas, Renata compreendeu o que faltava para que suas receitas saíssem como o esperado. “Nesse curso eu aprendi o segredo do pão. Depois disso, já fiz um pão de ervas que ficou excelente, diferente do que eu fazia. E estou treinando, presenteando amigos e familiares com os meus pães”, comemora.

Dalgisa Ometto compôs a mesma turma em Bragança Paulista, e chegou à sala de aula com uma necessidade prática: enriquecer a alimentação familiar. “Morando em sítio, ter pão fresquinho todos os dias é sempre um desafio, então fui em busca desse conhecimento”, afirma a aposentada, que sempre participa de formações no Sindicato Rural da cidade.

As histórias de Renata e Dalgisa somam-se a muitas outras, conta Alessandra Barbosa Prando, instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Estado de São Paulo (SENAR-SP). “O perfil de alunos é na maioria aposentados e agricultoras. São donas de casa e mães que querem melhorar a alimentação da sua família e aproveitar o excedente do que é produzido em suas propriedades”, diz. O clima que predomina é de amizade, e no Sindicato Rural de Bragança Paulista não foi diferente. “Há muita troca de dicas, truques e trocas no aprendizado de pães, incluindo embalagens, etiquetas, decorações e muito mais”, conta a produtora.

Aprender fazendo

O curso tem como objetivo permitir o consumo dos produtos de forma diferenciada, pois possibilita a manipulação de pães enriquecidos com legumes, frutas, castanhas e sementes, chás, sucos, iogurte e farinhas funcionais, evitando o desperdício. As turmas têm entre 12 e 20 alunos. “O aprendizado é coletivo, com a metodologia ‘aprender fazendo’”, explica a instrutora.

Na carga teórica, os alunos aprendem sobre boas práticas de manipulação, educação alimentar (seguindo a pirâmide alimentar do Ministério da Saúde), higiene pessoal, do local e dos utensílios e segurança alimentar. Também são apresentados os ingredientes dos pães e a forma como eles interagem sob o calor do forno para criar um pão.

Em seguida, coloca-se a mão na massa: os alunos preparam, junto à instrutora, sete tipos de pães. São eles o pão básico, o pão enriquecido (tais como pão de cenoura, de mandioca e com ervas frescas), pão enriquecido com outras farinhas (como pão de fubá), pão de forma, pão integral enriquecido com sementes, pão doce recheado (rosca de coco) e pão salgado recheado (a “sandália franciscana”). “Cada turma faz uma receita, com orientação da professora, que foi muito competente tirando nossas dúvidas e nos esclarecendo”, lembra Dalgisa.

A instrutora também orienta os alunos sobre a forma correta de embalar, identificar e armazenar os produtos. Para finalizar, limpeza do local de produção, equipamentos e utensílios.

Conquistas na cozinha

O curso Processamento de Pães Caseiros é repleto de histórias de conquista. “Os pães que saem do curso são sensacionais. Todos os participantes conseguem fazer, mesmo nunca tendo amassado um pão anteriormente”, atesta Alessandra. Os campeões de elogios e entusiasmo são a rosca de doce de coco, o pão de mandioca e, principalmente, a sandália franciscana.

A produtora Renata Leme faz parte desse grupo. “A experiência foi ótima! A professora explicava tudo e tirava nossas dúvidas com muita clareza e detalhes”, conta a produtora rural, que há anos participa de formações no Sindicato Rural de Bragança Paulista. Com base no aprendizado, ela está investindo na produção de pães para comercialização como complemento da atividade na sua propriedade. “Estou me adequando, treinando cada vez mais e comprando assadeiras e outros equipamentos de qualidade”, diz.

O grupo formado no Sindicato de Bragança Paulista não se separou: eles têm um grupo de Whatsapp, onde continuam trocando experiências e comemorando vitórias com os pães. “Foi muito valioso o contato que mantemos com os colegas, e também com a professora, que se colocou à disposição para tirar novas dúvidas à distância”, afirma Dalgisa.

De acordo com a instrutora, a convivência entre os alunos é um dos pontos marcantes da formação. “O curso em Bragança Paulista foi sensacional. Tive duas alunas que são amigas há mais de 40 anos e frequentam juntas os cursos do SENAR-SP. Com idades de 91 e 81 anos, elas deram um show de habilidade e amor na cozinha”, relembra.