Pesquisa com alunos formados pelo Senar MT mostra que a formação técnica abre caminhos para jovens no agro
Entre os que participaram da pesquisa, 9 a cada 10 afirmaram que estão trabalhando atualmente no setor agropecuário
Rosangela Milles
Fonte: Sistema Famato
Pesquisa realizada com alunos formados na Escola Agrícola do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), unidade Ranchão, traça o perfil de quem passou pela formação técnica e revela os caminhos percorridos depois da conclusão do curso. Dos 123 formandos entre os anos de 2023 e 2025, 70 responderam ao levantamento. Os dados consideram egressos dos cursos Técnico em Agropecuária.
Entre os que participaram da pesquisa, 9 a cada 10 afirmaram que estão trabalhando atualmente. Desses, 80,65% estão atuando diretamente no setor agropecuário, enquanto outros 16,13% atuam em uma área parcialmente relacionada. Apenas 3,23% informaram trabalhar em uma atividade sem relação com a formação.
A maior parte dos respondentes é formada por jovens. Dos 70 egressos, 82,86%, têm até 20 anos, enquanto oito estão na faixa etária de 21 a 25 anos. O perfil revela ainda um aspecto importante sobre a porta de entrada para o agronegócio. Antes de iniciar o curso, 34,29% dos entrevistados disseram não possuir vínculo com o setor. Outros 47,14% já tinham ligação com o meio rural por meio da propriedade da família, enquanto 18,57% já trabalhavam no agronegócio.
Os números indicam que a formação técnica atende tanto quem já possui uma relação com o campo quanto aqueles que enxergam no agronegócio uma oportunidade para iniciar uma trajetória profissional.
O levantamento também mostra que a formação teve reflexos na trajetória dos ex-alunos. 31 respondentes apontaram a conquista do primeiro emprego como uma das principais evoluções após o curso, mesmo número daqueles que indicaram crescimento profissional. Outros 17,14% destacaram a ampliação da atividade rural.
A percepção sobre os impactos da formação também aparece em outros indicadores. Para 87,14% dos egressos, o curso contribuiu muito para a melhoria da condição profissional.
Quando perguntados sobre a aplicação dos conhecimentos adquiridos, 75,71% disseram utilizar frequentemente, enquanto 22,86% afirmaram aplicar os conhecimentos eventualmente.
A prática como diferencial
As aulas práticas e as visitas técnicas foram apontadas como a principal contribuição para a formação por 53 dos 70 respondentes, o equivalente a 75,71%. A interação nos encontros presenciais e a participação em palestras foram citadas por 17 participantes.
O dado reforça a importância de uma formação que aproxima o aluno da realidade encontrada no campo e no mercado de trabalho.
A dificuldade para encontrar profissionais qualificados é um dos desafios do agronegócio em Mato Grosso. Ao mesmo tempo em que o setor demanda trabalhadores preparados para acompanhar as transformações e exigências do campo, a formação técnica surge como um dos caminhos para aproximar jovens das oportunidades profissionais.
Formação e demanda por profissionais
Os resultados da pesquisa com os egressos dialogam com o cenário identificado pelo levantamento Mão de Obra na Agricultura de Mato Grosso em 2026, desenvolvido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Senar MT. A iniciativa tem como objetivo traçar um panorama da realidade da mão de obra no meio rural mato-grossense e gerar informações para produtores, entidades e instituições do setor.
No levantamento apresentado pelo Imea, a dificuldade para contratação e a necessidade de profissionais qualificados aparecem entre os desafios do setor. É nesse contexto que os dados da Escola Agrícola Ranchão ganham relevância.
De um lado, o agronegócio demanda profissionais cada vez mais preparados para atuar em uma atividade que exige conhecimento técnico e atualização constante. De outro, a pesquisa com os egressos mostra uma geração de jovens que está saindo da formação técnica e encontrando espaço no mercado.
Dos 70 participantes da pesquisa do Ranchão, quase metade não tinha qualquer vínculo com o agronegócio antes de iniciar o curso. Depois da formação, 88,57% afirmaram estar trabalhando, e, entre os que estão no mercado, a maior parte atua diretamente em uma área relacionada à qualificação recebida.
A conexão entre as duas pesquisas mostra que, enquanto o mercado aponta a necessidade de mão de obra qualificada, o Senar MT trabalha na preparação de jovens e trabalhadores para ocupar essas oportunidades.