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Em tempos modernos, papel e caneta ainda são ferramentas fundamentais para a organização da economia doméstica
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26 de agosto 2020
Por CNA

Cada vez mais presente na rotina das pessoas, a tecnologia permite resolver quase tudo pela internet, por meio de aplicativos no celular e programas no computador. Mas quando se trata de organização financeira, a tradicional dupla formada pelo papel e caneta entra em cena para quem pretende dar o primeiro grande passo rumo à saúde financeira. É o que mostra o curso do Senar/MS ‘Família, Qualidade de Vida e Controle de Orçamento Familiar”, tema do #EducaçãoNoCampo desta quarta-feira (26). 

Ter um objetivo, envolver todos os membros da família, analisar os gastos, criar o hábito de anotar tudo. As dicas são da instrutora do Senar/MS e psicóloga, Crisler Keler de Arruda, que sugere um levantamento dos últimos três meses. 
“Faça uma lista com as despesas fixas, que são aquelas que não alteram o valor com frequência como aluguel, parcela do carro, faculdade, internet e farmácia no caso de compras de remédios de uso contínuo;  faça outra lista com despesas que variam conforme o consumo, por exemplo, água, luz, telefone, mercado, farmácia, gás, cartão de crédito; e uma terceira, com os supérfluos, gastos eventuais, lanches, coisas do dia-a-dia”, descreve.
 
Com as informações em mãos, é possível ter uma prévia do que está sendo consumido, uma noção mais objetiva dos gastos, evitando decisões por impulso. “A iniciativa ajuda a ser mais racional na hora da compra, e nos faz questionar se realmente existe necessidade de comprar ou é apenas um desejo. Precisamos nos atentar nas compras rotineiras, pois são elas as ‘vilãs’ do equilíbrio financeiro”, alerta.

Autossabotagem da vida financeira

A falta de tempo não é desculpa. Com apenas 4 horas, é possível ter um detalhamento das despesas e receitas da casa, ou seja, tudo o que entra e o que sai. De acordo com a especialista, o gerenciamento de finanças pessoais deve ser prioridade dentro de casa e conhecer este departamento é manter um equilíbrio no tripé família, qualidade de vida e orçamento familiar, o que pode, inclusive, ajudar com os imprevistos. 

“Sabemos que é preciso mudar, mas o medo de olhar as nossas contas, despesas, receitas e identificar nossas falhas, nos impede. Sabotamos o nosso próprio orçamento. Olhar para a vida financeira é entender as suas dificuldades. A expectativa é uma e a realidade é outra. Reconhecemos muito de nós nesses números e isso está ligado ao objetivo de alcançar o sucesso”, explica Crisler. 

A pandemia, segundo a especialista, reforçou a incerteza no amanhã e impactou no equilíbrio emocional. “O consumismo acabou predominando. Ficamos mais tempo em casa e buscamos por mais coisas na internet. O acesso a determinados itens ficou mais fácil, a partir das compras por e-commerce. Ao mesmo tempo, o momento gerou muitas oportunidades, principalmente para pessoas que não eram vistas, como é o caso de pequenos produtores rurais, que não conseguiam alcançar o mercado consumidor”, acrescenta. 

Vida pessoal x negócio rural

Separar os gastos da casa e da empresa rural é fundamental. “O produtor passa a maior parte do tempo trabalhando, acompanhando a produção de perto para que consiga alcançar seus objetivos. Por falta de tempo, acaba protelando esse levantamento do orçamento familiar e cuidando da vida financeira somente do seu negócio. Dentro da propriedade é necessário planejamento, conhecer a atual situação para obter melhorias. Na família é preciso entender a situação de todos os membros”.