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Cogumelo fresco conquista espaço no Paraná
Cogumelos

11 de agosto 2020
Por CNA

No prato do brasileiro e nas gôndolas dos supermercados, os cogumelos vêm sendo presença cada vez mais frequente. Até os anos 2000, o consumo médio por pessoa não passava das 30 gramas por ano, de acordo com dados da Associação Nacional dos Produtores de Cogumelos (ANPC). Hoje, essa quantidade já passa das 150 gramas. E considerando o apetite pelo alimento de outras nações – como as europeias, que consomem mais de 2 quilos por habitante/ano –, a tendência é de que a demanda siga em ritmo acelerado por aqui.

Se o cogumelo está mais presente no prato, precisa também ocupar mais espaço nas lavouras. Historicamente, São Paulo é o maior produtor do fungo no Brasil. Mas o produto vem ganhando espaço no arranjo produtivo paranaense como alternativa de renda. Hoje, o Estado figura na segunda colocação nacional, cujos maiores polos produtores ficam na Região Metropolitana de Curitiba e nos Campos Gerais.

A ANPC revela que apesar de estar cada vez mais profissionalizado, o setor ainda carece de números exatos, fundamentais para calibrar as políticas públicas na área. A estimativa da Associação é de que haja produção de pouco mais de 12 mil toneladas do produto por ano, o que movimenta algo em torno de R$ 60 milhões e gera mais de 3 mil empregos em todo o Brasil. Mas, como a projeção considera dados de 2012, do levantamento mais recente, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor deve ter um peso maior na economia nacional.

Modelos coexistem

Boa parte desse crescimento, notado principalmente pela oferta e demanda dos cogumelos em feiras, mercados e restaurantes, ocorre porque o cultivo é de certa forma democrático. Assim como cogumelos são versáteis na hora de cozinhar, estando presente em massas, molhos e até mesmo como pratos principais, na hora de manejar a cultura também há espaço para a coexistência de diversos modelos de negócio.

Marcos Aurélio Lourenço, de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), por exemplo, construiu uma estrutura pequena para começar a produzir cogumelo paris em menor quantidade. “Eu trabalhava na indústria metalúrgica e saí da empresa em outubro do ano passado. Fazia tempo que tinha essa ideia de produzir cogumelos, mas não colocava em prática por falta de tempo”, diz.

Lourenço visitou alguns produtores em Tijucas do Sul, também na RMC, e embasou seu projeto nessas estruturas. “Eu já tinha o barracão e fiz algumas adaptações, como uma sala para ar condicionado e um espaço para embalagem. A produção deve resultar em mais ou menos uns 800 quilos por mês e faturamento aproximado de R$ 8 mil por mês”, projeta o produtor.

Já em Castro, nos Campos Gerais, Euti Jan Lohman Filho está há três anos com um modelo de negócio escalável, no qual produz quase 20 mil bandejas de cogumelos paris e porto belo por semana. Para isso, se inspirou em modelos de negócio europeus. O investimento até agora já ultrapassa os R$ 2,5 milhões.

“Na minha avaliação, no ramo de cogumelos, ou o produtor é pequeno e fica no mercado mais em volta, numa comercialização doméstica, ou tem escala para ir para fora e expandir, o que não é barato. O investimento para quem opta por escala é alto e há inúmeras dificuldades até se conseguir abrir mercado”, analisa Lohman Filho.

O produtor dos Campos Gerais entrega seus produtos diretamente a grandes redes de supermercados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Ao todo, mantém 28 pessoas trabalhando diretamente, pois a cultura envolve muitos procedimentos manuais.

“Nós temos uma capacidade de aumentar em torno de 40% a produção e, para isso, vamos precisar chegar a mais 50 funcionários. À medida que vamos conseguindo novos mercado, ampliamos a produção. Como temos toda uma cadeia de frios, tem que ter adequação das redes varejistas em uma série de quesitos para termos um produto que tenha uma vida útil interessante”, revela.

Leia a reportagem na íntegra nas páginas do Boletim Informativo da FAEP