Campo Futuro promove painéis em São Paulo, Goiás e Minas Gerais

CNA levantou custos de produção de borracha, cana, leite, banana, café e tilápia

Por CNA 17 de abril 2026
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Cafe franca

Brasília (17/04/2026) – Técnicos do projeto Campo Futuro, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com federações estaduais, universidades e centros de pesquisa, promoveram, nesta semana, painéis de levantamento de custos de seis atividades em São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

Confira os resultados da borracha, cana, leite, banana, café e tilápia:

Café arábica – Já os painéis de custos de café arábica foram promovidos em Caconde e Franca, em São Paulo. A propriedade modal definida em Caconde possui 5 hectares, com sistema manual e não irrigado. A produtividade média considerada para o quadriênio foi de 39 sacas por hectare, um aumento de 39,2% em relação ao levantamento anterior, influenciado pelas melhores condições climáticas deste ciclo.

O Custo Operacional Efetivo (COE) por hectare teve incremento de 12% em comparação ao período anterior, puxado por maiores desembolsos com insumos para realização dos tratos culturais, com destaque para aumento de 27,7% nos preços de fertilizantes. O alcance de maiores produtividades possibilitou um certo alívio para as margens da atividade.

Painel em Caconde (SP) Painel em Caconde (SP)

Em Franca, a propriedade modal conta com 50 hectares de área produtiva, com sistema mecanizado e não irrigado. Assim como em Caconde, as condições climáticas favoreceram o aumento da produtividade, que atingiu 35 sacas por hectare no quadriênio (+34,6%).

O COE por hectare registrou alta de 15,6% em relação a 2025. Mesmo com um pacote tecnológico semelhante ao do ano anterior, a elevação dos preços dos fertilizantes teve grande impacto sobre os custos, com aumento de aproximadamente 32,8% na região. Essa valorização é observada de forma generalizada nas regiões acompanhadas, influenciada pelo conflito no Estreito de Ormuz, considerando a dependência brasileira de fertilizantes importados.

Heveicultura (borracha) – Os painéis de borracha natural foram realizados em São José do Rio Preto e Barretos (SP). No primeiro município, a propriedade modal definida possui 30 hectares de produção, com rendimento médio anual de 2.857 quilogramas por hectare e ciclo produtivo de 35 anos. Na região, a atividade apresentou margem líquida negativa.

Painel em São José do Rio Preto (SP) Painel em São José do Rio Preto (SP)

Já em Barretos, o modal é de 20 hectares e produtividade de 3.250 quilogramas de borracha por hectare ao ano. Os resultados foram mais positivos em relação ao último levantamento, realizado em 2023, com receita cobrindo os custos operacionais. Os maiores gastos efetivos dispendidos pelos produtores em ambas as regiões são com custos administrativos. 

Painel em Barretos (SP) Painel em Barretos (SP)

Cana-de-açúcar – Já o levantamento de cana ocorreu em Penápolis (SP). Produtores e técnicos definiram uma propriedade modal de 150 hectares, com estimativa de produtividade no ciclo 2026/2027 de 80 toneladas por hectare e qualidade de matéria-prima com cerca de 132 quilogramas de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana processada. 

Ainda que com projeção de incrementos de produtividade e de qualidade da matéria-prima para o novo ciclo em relação ao último levantamento, realizado em 2024/2025, a queda na receita dos produtores acarreta recuos nas margens, apesar de ainda se manterem positivas.  

Painel em Penápolis (SP) Painel em Penápolis (SP)

Pecuária de leite – Os técnicos do Campo Futuro estiveram nos municípios de Caçu e Itaberaí, em Goiás, para analisar os custos de produção da pecuária de leite. A propriedade modal apontada nas regiões produz de 500 e 600 litros por dia, respectivamente. As propriedades de cerca de 50 hectares contam com rebanhos girolando de cerca de 15 litros diários.

Painel em Caçu (GO) Painel em Caçu (GO)

O planejamento forrageiro envolve a produção de silagem para garantir a oferta de volumoso o ano todo, além do fornecimento de ração concentrada. Os principais desembolsos estiveram relacionados à alimentação do rebanho, que comprometeram por volta de 60% da receita obtida com o leite.

Painel em Itaberaí (GO) Painel em Itaberaí (GO)

Mesmo nesse cenário, a receita obtida com o leite permitiu remunerar não somente os desembolsos da atividade, mas também o prolabore e a depreciação da infraestrutura produtiva, sinalizando sua viabilidade no curto e no médio prazo. A receita bruta por hectare superou também os valores pagos pelo arrendamento para outras atividades, denotando a competitividade da produção leiteira na região.

Frutas (banana) – O painel de banana nanica foi realizado em Registro (SP). A propriedade da região possui 25 hectares de área produtiva, e sistema semimecanizado e não irrigado. Desde 2023, a cultura tem passado por uma manutenção da produtividade, que gira em torno de 30 toneladas por hectare.

Painel em Registro (SP) Painel em Registro (SP)

O Custo Operacional Efetivo (COE) subiu em torno de 15,1% em comparação ao levantamento anterior, puxado por maiores desembolsos com fertilizantes (+42,1%) e com produtos fitossanitários (+8,5%).  O cenário atual de preços, somado ao elevado custo de produção, impactou em margem líquida negativa para a atividade.

Aquicultura (tilápia) – Morada Nova de Minas (MG) foi a região escolhida nessa semana para analisar os custos de produção da tilápia. O sistema predominante apontado é o de tanque-rede, o que traz desafios adicionais relacionados ao ambiente natural. Um deles é a necessidade de utilizar juvenis em vez de alevinos, já que peixes maiores apresentam maior taxa de sobrevivência.

Esse fator leva produtores a manter estruturas próprias para recria ou adquirir animais já em estágio mais avançado, além do manejo sanitário com vacinação contra vírus e bactérias. Na região, as propriedades alojam aproximadamente 750 mil animais em uma estrutura de 150 tanques e despescam cerca de 510 toneladas de peixes de 850g ao final de 150 dias.