Café da Cuesta Paulista avança para conquistar Denominação de Origem

Reconhecimento estadual valoriza cafés especiais de 18 municípios, fortalece o associativismo rural e abre novas perspectivas de mercado e geração de renda para os produtores paulistas

23 de outubro 2026
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Mais um passo para o IG da Cuesta

Mario Teixeira

Fonte: Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo - Faesp

A cafeicultura da Cuesta Paulista deu um passo decisivo para conquistar uma nova Indicação Geográfica (IG) no estado de São Paulo. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento publicou, nesta terça-feira (20), no Diário Oficial, a Resolução SAA nº 70/2026, que reconhece o processo de Indicação Geográfica do Café da Cuesta Paulista, na modalidade Denominação de Origem (DO), e aprova a delimitação territorial necessária ao pedido de registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A iniciativa, conduzida pelo Sindicato Rural de Pardinho, contempla 18 municípios paulistas: Avaré, Bocaina, Bofete, Botucatu, Brotas, Cerqueira César, Dois Córregos, Dourado, Itatinga, Itirapina, Jaú, Mineiros do Tietê, Pardinho, Pratânia, Ribeirão Bonito, São Manuel, São Pedro e Torrinha. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, o avanço representa uma conquista para toda a região. "Estamos falando de um território com enorme tradição agropecuária, onde gerações de produtores construíram conhecimento, qualidade e identidade. O reconhecimento desse trabalho é fundamental para agregar valor à produção, ampliar mercados e transformar as vocações regionais em desenvolvimento econômico e social", destacou.

A busca pela certificação amplia o movimento de valorização dos produtos com identidade territorial em São Paulo, que já conta com Indicações Geográficas reconhecidas em diferentes cadeias produtivas. Entre os exemplos estão os cafés da Alta Mogiana, da Região de Garça e de São Sebastião da Grama, as uvas de Jundiai, os vinhos de São Roque e de Espírito Santo do Pinhal, além do queijo da região da Mantiqueira de Minas, cuja área delimitada também alcança municípios paulistas. As IGs permitem diferenciar produtos, preservar conhecimentos tradicionais, fortalecer o associativismo e conquistar mercados mais exigentes.

No caso da Denominação de Origem, o reconhecimento está diretamente relacionado às características do território, incluindo fatores naturais e humanos que influenciam a qualidade do produto. Os cafés especiais da região já receberam inúmeros prêmios nacionais e no exterior. "São três anos de trabalho junto aos produtores rurais e a conscientização sobre a importância dessa certificação. Não basta produzir um café de alta qualidade. É preciso mostrar, através de certificações, a excelência do produto, suas especificidades que o tornam tão especial. A singularidade do nosso solo, os saberes e os sabores que foram preservados e evoluíram com o tempo", afirmou Daniella Pelosini, presidente do Sindicato Rural de Pardinho.

Cafeicultura histórica

A importância do Café da Cuesta Paulista ganha ainda mais dimensão diante de uma tradição cafeeira que remonta à década de 1860. A região apresenta condições naturais privilegiadas para a produção de cafés especiais, com altitudes entre 800 e 1.007 metros, clima ameno e características de solo e relevo que influenciam diretamente a qualidade dos grãos. A análise de 212 laudos de concursos regionais, referentes a sete safras, identificou pontuação média de 83,1 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA), com 97,8% dos registros detalhados classificados como cafés especiais.

As bebidas apresentam notas recorrentes de caramelo, chocolate e castanhas, acidez equilibrada e corpo aveludado. Além das condições naturais, o estudo técnico destaca o conhecimento acumulado pelos produtores, as práticas de colheita e beneficiamento e a atuação de associações e cooperativas. Esse conjunto de fatores reforça o potencial da Cuesta Paulista para consolidar uma marca territorial reconhecida pela qualidade, pela tradição e pela sustentabilidade de sua produção.

Para a Faesp, o protagonismo do Sindicato Rural de Pardinho na condução do processo demonstra a importância dos Sindicatos Rurais na organização das cadeias produtivas, na articulação institucional e na construção de projetos capazes de gerar resultados para municípios inteiros. A futura Denominação de Origem poderá ampliar o acesso dos cafés da Cuesta Paulista aos mercados nacional e internacional, estimular a agroindustrialização, fortalecer o turismo rural e criar novas oportunidades de renda, especialmente para pequenos e médios produtores. A aprovação da delimitação geográfica pelo governo paulista representa uma etapa fundamental, embora a concessão definitiva do registro ainda dependa da análise do INPI.