ATeG transforma gestão em renda e leva pecuaristas de prejuízo ao lucro no Oeste Paulista

Após dois anos de assistência do Senar-SP, 30 produtores ampliam produção em 28%, elevam renda bruta para R$ 7,92 milhões e revertem resultado econômico negativo

13 de outubro 2026
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Mario Teixeira

Fonte: Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo - Faesp

O encerramento de uma turma do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-SP, em Presidente Bernardes, no Oeste Paulista, mostrou na prática como orientação técnica, gestão e acompanhamento contínuo podem transformar os resultados da pecuária de corte. Os 30 produtores atendidos, de Presidente Bernardes, Piquerobi, Emilianópolis e Santo Anastácio, encerraram dois anos de assistência com crescimento expressivo da produção e, principalmente, da rentabilidade.

Entre o primeiro e o segundo ano, a comercialização aumentou de 1.734 para 2.171 animais, enquanto a produção avançou 28%, de 17.653,8 para 22.586,7 arrobas anuais, na média dos produtores atendidos. A renda bruta saltou de R$ 5,58 milhões para R$ 7,92 milhões, crescimento de aproximadamente 42%. O indicador que melhor traduz o impacto do ATeG, porém, está no resultado econômico das propriedades. No primeiro ano de acompanhamento, o grupo acumulava prejuízo de R$ 813,2 mil. No segundo, passou a apurar lucro de R$ 553,9 mil — uma reversão de aproximadamente R$ 1,37 milhão no resultado conjunto dos produtores.

Os números foram apresentados no 1º Encontro de Produtores da Pecuária de Corte de Presidente Bernardes, realizado pelo Sindicato Rural, com apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Senar e Sebrae. Mais de 100 participantes acompanharam palestras sobre gestão, inovação, reprodução e estação de monta, além do benchmarking apresentado pela técnica de campo Fernanda Luiza Guinossi Barbosa Deak, responsável pelo acompanhamento da turma.

"Minha família tem propriedade de gado de corte, então a minha vida toda estive em contato com bovinos. Por isso, antes de me formar já trabalhava com corte", explicou Fernanda, médica veterinária e doutora em Fisiopatologia e Saúde Animal, com ênfase em Reprodução, pela Universidade do Oeste Paulista, que está no Senar-SP desde 2024, quando entrou para assumir a turma.

Os resultados de Presidente Bernardes fazem parte de uma atuação que ganha escala no estado. Somente em setembro de 2026, o ATeG do Senar-SP encerrou sete turmas de bovinocultura de corte e mantém outras nove em andamento na cadeia. Considerando todas as atividades atendidas, são aproximadamente 100 turmas distribuídas por dez cadeias produtivas em São Paulo.

"Durante dois anos, o programa atendeu 28 produtores rurais de pecuária bovina de corte, promovendo avanços significativos em manejo, produtividade e gestão, fortalecendo a atividade e gerando mais rentabilidade no campo. Estamos satisfeitos com os resultados alcançados e entusiasmados em prosseguirmos com o projeto, visando alcançar mais produtores", frisou Odinir Liberati Vieira, presidente do Sindicato local.

Gratuito e continuado, o programa alia assistência técnica à gestão da propriedade para que o produtor conheça seus custos, acompanhe indicadores, identifique gargalos e tome decisões com base em dados. O desempenho da turma do Oeste Paulista reforça esse objetivo: mais do que produzir mais, o ATeG ajuda o produtor a transformar produtividade em renda e a propriedade rural em um negócio economicamente mais eficiente e sustentável.

Bons resultados

O produtor Paulo Brandi é um dos que conquistou bons resultados. A criação de gado é sua segunda atividade há aproximadamente 13 anos. Para ele, o programa foi importante porque trouxe uma maior consciência a respeito do manejo sanitário (tempo de aplicação de vacinas e vermífugos), formação e manutenção de pastagens, além de auxiliar no modo de negociar os animais. Também, frisou, foi produtivo na medida em que o planejamento passou a ser uma atividade importante no dia a dia do sítio.

"Posso dizer que, com a melhor gestão na criação e condução do rebanho proporcionada pelas técnicas sugeridas e aplicadas pela instrutora do curso, tivemos uma melhora considerável no 'score' do gado (vacada e bezerros), e por consequência uma rentabilidade maior", disse Brandi.

Já Mirian Baker, que herdou o sítio há 13 anos, reforça que o programa foi muito importante para melhorar sua visão, principalmente, enquanto gestora, pensando nas necessidades dos animais, renovação de pastagens, melhoria genética e descarte de matrizes, entre outras ações. Do arrendamento das terras até a decisão de ter seu próprio rebanho foi um caminho que se transformou com o ATeG.

"Eu nasci e cresci no sítio, casei com 21 anos e permaneci lá. Quando herdei o sítio, não tinha gado, apenas terra. Arrendei a propriedade para meu irmão colocar o gado dele, mas decidi que iria ter meu próprio rebanho, hoje com 32 matrizes.  Fiz dois PRONAF, aprendi muito e ainda tenho muito a aprender", concluiu.