Do coração das Matas de Minas para o mundo: Café da Fazenda projeta novos mercados com apoio do agroBR
Uma história que atravessa gerações
O Café da Fazenda nasceu do sonho de uma família de origem italiana em São Domingos do Prata (MG). A torrefação foi fundada em 1990 pelo pai de Estela Arthuso e, desde então, a marca se consolidou no fornecimento de cafés tradicionais e gourmet para clientes de Minas Gerais e de outros estados do Brasil, com presença inclusive em pregões públicos desde 2009.
Em 2007, Estela assumiu a gestão ao lado do marido, o engenheiro agrônomo e provador de cafés Flaviano Vieira Lima. Ela conduziu a estratégia comercial e a inovação da marca, enquanto ele reforçou a qualidade da produção. “A tradição é a nossa base, mas entendemos que o café também é experiência, cultura e identidade. É isso que queremos mostrar ao mundo”, afirma Estela.
Inovação com raízes na tradição
Sob a liderança do casal, a torrefação se destacou pelo processo diferenciado de torra: cada tipo de café é torrado separadamente, o que permite flexibilidade e blends personalizados para clientes. Hoje, além dos cafés tradicionais, a marca trabalha com especiais que atingem notas acima de 86 pontos.
A empresa criou ainda a linha Safra Limitada, que valoriza produtores familiares das Matas de Minas, sempre com rastreabilidade e qualidade superior. Em Santa Margarida (MG), a fazenda modelo se transformou em um espaço multifuncional: produção sustentável há mais de seis anos sem agrotóxicos, apenas com defensivos biológicos, pousada, bistrô e experiências de turismo rural que aproximam visitantes da cultura do café. O espaço já recebeu visitantes internacionais do Senegal e do Canadá e é referência em sustentabilidade. A produção atende aos critérios exigidos por compradores internacionais, incluindo o padrão Starbucks.
O selo de confiança do agroBR
Em 2022, a empresa ingressou no agroBR, programa da CNA em parceria com a ApexBrasil, e passou a receber consultoria em certificações, embalagens, precificação e preparação para exportação.
Com apoio do programa, o Café da Fazenda participou de rodadas de negócios e da World of Coffee Dubai 2024, onde realizou sessões de cupping, conheceu tendências globais e fez contatos estratégicos.
“O agroBR nos deu a confiança que precisávamos. É um selo que abre portas e mostra que temos condições de atender ao mercado externo.”
Negociações em andamento
Hoje, a empresa mantém tratativas avançadas com compradores dos Emirados Árabes Unidos, incluindo parceria com outros produtores brasileiros que também participaram da WOC. A estratégia coletiva busca atender à forte demanda por cafés de qualidade no mercado árabe. A experiência reforçou para Estela a importância da união entre produtores e a agilidade necessária para fechar negócios internacionais.
Antes mesmo de entrar no programa, a marca já havia realizado uma exportação para a Suíça, mas foi com o agroBR que se estruturou para avançar com segurança no comércio exterior.
Responsabilidade social e futuro
Além de projetar-se internacionalmente, o Café da Fazenda gera cerca de 200 empregos diretos e indiretos em São Domingos do Prata e Manhuaçu. O negócio mantém firme compromisso com a sustentabilidade e o desenvolvimento regional, unindo qualidade, tradição e inovação.