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22/05/2018

Caminhoneiros/CNA: escoamento da safra e dos insumos será afetado se protesto se intensificar

Por Agro News
Natália Fernandes

São Paulo, 22/05/2018 - O escoamento da safra de grãos e a entrega dos insumos nas propriedades podem ser afetados se a paralisação dos caminhoneiros for ampliada nos próximos dias, disse ao Broadcast Agro a superintendente técnica-adjunta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Natália Fernandes. "A paralisação eleva frete e esse aumento é repassado em parte ao produtor rural. Se o governo não adotar nenhuma medida e esse movimento for postergado e intensificado, a gente pode ter prejuízos sérios, principalmente no escoamento da safra e também na chegada de insumos na propriedade, como fertilizantes e defensivos", afirmou.

 Por enquanto, diz Natália, o fluxo de exportação é normal devido às cargas já estavam armazenadas no porto. Mas elas lembrou que as manifestações ocorrem em regiões produtoras importantes e também no acesso aos portos, o que pode comprometer o fluxo desses embarques ao exterior. "Só ontem houve bloqueios em 19 Estados; hoje também há diversos pontos novos e alguns protestos se mantinham nos pontos anteriores", lembrou. Segundo ela, as exportações de carnes e animais vivos também podem ser prejudicadas. "Contratos de exportação podem sofrer com essa paralisação. Comprador internacional não vai ser flexível a ponto de entender uma questão interna do País."

 A superintendente diz que a alta dos preços dos combustíveis, motivo do protesto, afeta também os produtores. "Tanto as manifestações quanto o aumento do preço dos combustíveis impactam significativamente o produtor rural. Temos feito levantamentos de custo de produção junto a produtores e identificamos que a elevação do preço do óleo diesel reduziu a renda do agricultor", apontou. "Em algumas regiões, para produtores de soja, a gente teve uma elevação de até 30% nos custos com óleo diesel frente à safra passada."

 Para a CNA, a manifestação é "legítima". "Tivemos elevação de cerca de 60% no preço do diesel e da gasolina desde julho do ano passado, quando a Petrobras adotou a nova política de ajuste de preços, e uma volatilidade quase diária na bomba", assinalou Natália. "A volatilidade de um insumo tão importante para o produtor e a sociedade, como o combustível, e a alta incidência tributária acaba desincentivando o agronegócio como um todo." Ela ressaltou ainda o aumento dos tributos sobre o óleo diesel desde o ano passado. "O problema não é só a volatilidade diária repassada aos produtores e aos consumidores e sim essa alta carga tributária sobre os combustíveis."

 De acordo com Natália, a CNA aguarda um posicionamento do governo para solucionar o impasse. "Estão ocorrendo algumas reuniões do governo. Eles têm conhecimento da importância do modal rodoviário para o transporte no Brasil e a gente espera que adotem uma política que venha a amenizar tanto a volatilidade diária quanto a incidência tributária nos combustíveis."

Leticia Pakulski - leticia.pakulski@estadao.com

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